Os mandantes do assassinato de Marielle na cadeia!
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Hoje é um dia histórico. O Supremo Tribunal Federal finalmente condenou os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos de prisão por mandarem assassinar Marielle Franco. Oito anos depois do crime que tirou a vida de Marielle e de Anderson Gomes, a justiça — ainda que tardia — chega como resultado direto de uma mobilização que nunca arrefeceu.
Essa condenação não caiu do céu. Ela é fruto da persistência do movimento de mulheres, do movimento negro, das organizações de direitos humanos, da esquerda e de milhares de pessoas que, nas ruas do Brasil e do mundo, repetiram por oito anos: “Quem mandou matar Marielle e por que?”. Foi a pressão popular que impediu que o caso fosse enterrado sob o peso da impunidade que costuma proteger milicianos, políticos corruptos e o poder.
Comemoramos com o punho em alto!
É uma vitória política e simbólica. Mostra que a luta coletiva pode arrancar respostas mesmo de um sistema de justiça estruturalmente lento quando os acusados têm poder, dinheiro e conexões. Porque sabemos: para julgar jovens periféricos — majoritariamente pretos — o sistema é veloz, implacável e muitas vezes arbitrário. Para julgar os poderosos, a justiça costuma ser cautelosa, demorada e cheia de recursos. Essa é a essência da justiça burguesa.
Marielle era mulher, negra, da favela, defensora de direitos humanos. Era também uma denúncia viva da violência do Estado nas periferias. Sua execução não foi um “caso isolado”: foi expressão de uma engrenagem onde milícias, políticos burgueses e setores do Estado se entrelaçam. Não é detalhe que cinco policiais militares tenham participado do assassinato, além de dois delegados e um policial civil. Isso revela o grau de infiltração e promiscuidade institucional que corrói as estruturas públicas por dentro.
A corrupção do Estado mata. Mata quando protege esquemas criminosos. Mata quando permite que grupos armados se consolidem. Mata quando transforma forças de segurança em instrumentos de poder paralelo. Mata quando escolhe quem deve viver e quem pode morrer nas periferias.
A condenação dos mandantes não encerra essa história
Ela abre uma nova etapa. A de seguir desmontando as redes que sustentam as milícias, de exigir a desmilitarização das polícias e a democratização das forças para que sejam controladas pelo povo trabalhador. A de enfrentar a lógica de criminalização da pobreza e de garantir a impunidade do poder econômico.
Manter viva a memória de Marielle é mais do que lembrar seu nome. É continuar sua luta por um mundo sem opressão. Justiça por Marielle e Anderson não é apenas uma sentença. É um compromisso permanente contra a impunidade e contra todas as formas de violência de Estado.
Hoje comemoramos. Amanhã seguimos lutando.



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