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8M: Pelo Feminismo Revolucionário e Internacionalista - Contra o Capital e a Barbárie

  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Por Natasha Nazário, militante da Revolução Socialista - LIS.


Mais um 8M.


E, infelizmente, mulheres morrem por feminicídio a cada 6 horas, e a cada 6 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. O Brasil há mais de 15 anos permanece como o país que mais mata pessoas trans no mundo. Esses dados não são apenas estatísticas. Eles expressam uma realidade estrutural de violência que atravessa a vida cotidiana de mulheres e dissidências de gênero.


Nesse contexto, o ato do dia 8 de março de 2026, em Curitiba, foi marcado por falas de mulheres pretas, mulheres trans, mulheres trabalhadoras e mulheres indígenas. Toda essa pluralidade esteve presente e foi contemplada diante de 87 sapatos que representavam o número de mulheres mortas no estado do Paraná em 2025. A memória dessas vidas interrompidas reafirma que o 8M é, antes de tudo, um espaço de denúncia, organização e luta coletiva..



A partir dessa realidade concreta, torna-se impossível discutir o feminicídio, o machismo e o patriarcado sem discutir também o capitalismo. Esse sistema, desde sua formação histórica, se consolida sobre diferentes formas de opressão, entre elas a opressão de gênero. Além disso, nas consequências diretas do capitalismo, como genocídios, guerras e desastres ambientais e climáticos, mulheres, meninas, pessoas trans e pessoas não binárias estão entre as populações mais afetadas.


Isso ocorre porque o capitalismo se sustenta também sobre pilares como a misoginia, o patriarcado e a LGBTQIAPN+fobia. Ao longo da história, esse sistema explorou e continua explorando essas populações, mantendo as em permanente situação de vulnerabilidade e risco. Para garantir sua continuidade, o sistema necessita da existência de grupos socialmente fragilizados, concentrando poder nas mãos de uma burguesia heteronormativa, ciscentrada, branca e misógina.


Por essa razão, o 8M não pode ser reduzido a um momento de romantização ou celebração. Trata-se de um dia político e de luta. Não há como comemorar enquanto a vida das mulheres continua em risco todos os dias. Não há como comemorar enquanto pessoas transexuais seguem expostas à violência cotidiana. Não há como comemorar enquanto meninas e pessoas não binárias vivem sob ameaça constante.



Diante desse cenário, torna-se evidente que nenhuma conquista estrutural será possível sem a luta de classes. É fundamental que a classe trabalhadora incorpore o programa feminista como parte central de sua estratégia de emancipação da humanidade, integrando o às lutas e reivindicações que atravessam o cotidiano social. Somente dessa forma será possível construir uma força verdadeiramente revolucionária, feminista e internacionalista.


Ao mesmo tempo, observamos um processo de direitização de setores do feminismo reformista e as limitações cada vez mais evidentes de governos pseudo progressistas. Nesse contexto, mulheres, pessoas trans, pessoas não binárias e outras dissidências de gênero precisam construir uma alternativa revolucionária ao lado de seus companheiras, companheiros e companheires da classe trabalhadora.


O feminismo anticapitalista enfatiza justamente a importância da mobilização e da organização coletiva. O capitalismo reproduz e aprofunda as desigualdades de gênero para maximizar seus lucros e manter mecanismos de controle social. Por isso, quando a luta feminista não enfrenta estruturalmente o capitalismo, tende a produzir apenas conquistas parciais e temporárias, incapazes de romper com as bases profundas da opressão.


Um exemplo claro dessa dinâmica aparece no campo da saúde. O acesso à saúde de mulheres, meninas, pessoas trans e pessoas não binárias é profundamente atravessado pelo machismo, pela misoginia, pelo patriarcado e pela transfobia que estruturam a sociedade capitalista. Nesse modelo, o cuidado com a vida é subordinado à lógica do lucro, enquanto corpos feminilizados e dissidentes são historicamente controlados, silenciados e desvalorizados.


A própria medicina foi construída tomando o homem cis como padrão, invisibilizando necessidades específicas e naturalizando a negligência diante da dor dessas populações. Como resultado, mulheres frequentemente têm seus sintomas desacreditados, meninas têm sua sexualidade moralizada e pessoas trans e não binárias enfrentam violência institucional e exclusão no atendimento.


Essas desigualdades tornam-se ainda mais profundas quando atravessadas por raça e classe. O patriarcado mantém relações de poder que controlam os corpos e a reprodução, enquanto a transfobia reforça a marginalização de identidades dissidentes. Dessa forma, a saúde deixa de operar como um direito universal e passa a refletir as hierarquias sociais impostas pelo sistema.



Enfrentar essas desigualdades exige, portanto, uma luta feminista radical que questione as bases do próprio capitalismo. Somente a organização coletiva da classe trabalhadora, com protagonismo de mulheres e dissidências, pode transformar estruturalmente o sistema de saúde e as relações sociais que produzem exclusão.


A emancipação dos corpos e da vida exige uma ruptura profunda com as estruturas patriarcais e capitalistas que geram adoecimento, violência e marginalização.


Por isso, precisamos estar juntes e unides todos os dias. Precisamos construir um país em que as leis realmente funcionem, e não como ocorre hoje e historicamente ocorreu, quando muitas vezes são aplicadas apenas conforme o interesse da burguesia capitalista. Precisamos de um país em que a vida de mulheres, meninas, mulheres trans e boycetas não seja mais decidida por homens.


Nesse sentido, nossas reivindicações seguem como parte de um horizonte de transformação social mais amplo.


Pela legalização do aborto.

Pelo cumprimento rigoroso das leis contra o feminicídio e o transfeminicídio.

Pelo fim da transfobia.

Pelo fim da desigualdade de gênero.

Pelo fim da escala 6x1.

Pelo fim do capitalismo.

Por um feminismo revolucionário, socialista e internacionalista.

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