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Nosso grito coletivo contra o feminicídio: uma declaração ecofeminista, socialista e internacionalista

Por Célula Popular da Regional Paraná: Emanuelle Nascimento em colaboração com Maximiliano Michelini, João Pedro e Rafael Pereira.


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No Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, reafirmamos o que nossas análises políticas e discussões para o 3º Congresso Mundial da LIS mostram com precisão: o feminicídio não é um crime isolado, é uma expressão direta do capitalismo patriarcal, racista e ecocida.


     Vivemos numa conjuntura em que a extrema-direita global e imperialista transforma o ódio às mulheres e dissidentes em projeto político, aprofundando a misoginia, a LGBTQIAPN+fobia e as violências estruturais. No Brasil, um dos países que mais mata mulheres, o feminicídio se articula com a precarização da vida, o avanço do agronegócio, o desmonte das políticas públicas e a feminização crescente da pobreza. Nada disso é acidental: tem lógica, tem estrutura, tem projeto.


     É por isso que o feminismo que defendemos não é o feminismo liberal, individualista e classista que promete “empoderamento” enquanto ignora quem limpa, quem cozinha, quem sustenta a reprodução social. Rejeitamos qualquer versão de feminismo domesticada pelo Estado ou pelo mercado, esses feminismos administram a crise, mas não enfrentam suas raízes.


     Nós defendemos feminismos no plural, alinhados à quarta onda, construídos desde a interseccionalidade, que compreendem que nossas opressões são simultâneas:


DE GÊNERO;

DE CLASSE;

DE RAÇA;

DE TERRITÓRIO;

DE SEXUALIDADE;

E DE ECOLOGIA.


     Somos parte de uma luta internacionalista que conecta as mulheres negras brasileiras às mulheres palestinas sob genocídio, às argentinas que resistem a Milei, às indígenas que defendem a Amazônia do extrativismo. Não existe emancipação das mulheres num mundo que destrói rios, florestas, corpos e comunidades. Por isso nosso compromisso é ecofeminista, revolucionária e socialista.


     A violência que mata mulheres é a mesma que devora territórios.

O patriarcado que controla nossos corpos é o mesmo que controla a terra.

O capitalismo que lucra com nossa precarização é o mesmo que lucra com a destruição ambiental.


     Lutar contra o feminicídio é lutar contra esse sistema inteiro.


     Afirmamos, com convicção política e rigor teórico: não há combate verdadeiro ao feminicídio sem combate ao capitalismo; não há emancipação feminina sem ecofeminismo socialista; não há futuro possível sem feminismos no plural, construídos coletivamente.


     Neste 25 de novembro, não fazemos apenas memória.


Fazemos denúncia. Fazemos análise política. E fazemos compromisso histórico. Porque nossas vidas não cabem na lógica do lucro. Porque nossos corpos não são territórios de guerra. Porque nossa luta é global. E porque não aceitaremos mais nenhuma mulher a menos.

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