top of page

No segundo turno é Lula 13 e sair às ruas para derrotar o bolsonarismo

há 5 horas
4 min de leitura

Atualizado: há 1 hora

Por Comitê Central de Revolução Socialista - LIS.

O primeiro turno das eleições de 2026 deixa Flávio Bolsonaro à frente de Lula, com 56,1 milhões de votos, 47,03% dos votos válidos, contra 53,9 milhões de Lula, 45,16%. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Ao mesmo tempo, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado — a maior abstenção registrada em um primeiro turno desde 1998.

Além disso, vinte estados definiram seus governadores já no primeiro turno, um número recorde desde a redemocratização. O PL (partido de Bolsonaro) elegeu seis governadores: Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Rio de Janeiro. E, candidatos bolsonaristas em outras legendas venceram em dez estados no primeiro turno, entre eles São Paulo e Minas Gerais.

Na Câmara dos Deputados, o PL será a maior bancada da próxima legislatura, com 121 dos 513 deputados, quase 24% do total. O número representa 24 deputados a mais do que na eleição anterior. No Senado, o PL elegeu 19 das 54 cadeiras em disputa e chegará a 28 senadores a partir de 2027, formando a maior bancada desde a redemocratização. A dimensão desse resultado mostra que o campo político bolsonarista não apenas preservou sua força social: ampliou sua força institucional. Esse resultado convive, entretanto, com outro dado que merece atenção: a eleição também registrou votações expressivas de candidaturas da bancada da esquerda radical. Sâmia Bomfim (MES-PSOL) foi reeleita em São Paulo com 583 mil votos; Fábio Felix (MES-PSOL) foi eleito pelo DF com 224.224 votos; Jones Manoel (independente-PSOL) foi eleito em Pernambuco com 249.077; Fernanda Melchionna (MES-PSOL) foi reeleita no Rio Grande do Sul com 280.262; e Glauber Braga (independente-PSOL) foi reeleito no Rio de Janeiro com 86.314 votos.

Também merece destaque a campanha de Thiago Ávila (REDE) que disputou e recebeu 19.546 votos para uma vaga de deputado federal em São Paulo tendo entre seus principais eixos a solidariedade ao povo palestino e a denúncia da política de ocupação e violência contra a população palestina.

São resultados que merecem ser destacados porque mostram que existe espaço eleitoral para uma esquerda que se apresenta com posições firmes diante dos problemas sociais, econômicos e políticos do país, demarcando certa independência do governo da Frente Ampla lulista. Esse espaço político existe e por isso foi um grande erro o retiro do PSOL na disputa eleitoral para a presidência, deixando um vácuo à esquerda do governo Lula.

A polarização se aprofunda com a vitória da extrema direita e a derrota da Frente Ampla neoliberal 

Temos que analisar este resultado eleitoral reacionário, não como uma responsabilidade da classe trabalhadora, mas fundamentalmente como consequência do retrocesso de anos de governos "progressistas", de conciliação com o capital e aplicação de planos de ajustes duríssimos contra a classe trabalhadora. É inegável que esta onda fortalece Trump, Milei e a extrema direita latino-americana e adotar uma política consequente para combatê-la é fundamental para derrotar o avanço da extrema direita no Brasil, construindo uma nova direção para a classe trabalhadora.

O conjunto desses números coloca uma questão política central. A extrema direita não desapareceu nem perdeu sua capacidade de mobilização social. Ao contrário, chega ao segundo turno presidencial na frente, amplia sua representação parlamentar e mantém posições importantes nos governos estaduais. Ao mesmo tempo, uma parcela significativa do eleitorado não encontrou representação suficiente nas alternativas apresentadas e se absteve de ir votar, votou branco ou nulo. Existe uma insatisfação social mais ampla, atravessada por questões concretas da vida cotidiana: custo de vida, salários, condições de trabalho, acesso à saúde e à educação, segurança, endividamento e perspectivas para o futuro.

O resultado eleitoral mostra que a continuidade de um projeto baseado na conciliação de classes não elimina a insatisfação existente entre as maiorias trabalhadoras. É nesse terreno que a extrema direita consegue se apresentar como alternativa para milhões de pessoas. Seu crescimento não pode ser explicado apenas pelo discurso ideológico de seus dirigentes ou pelo comportamento das redes sociais. Existe uma base social consolidada e uma capacidade de canalizar descontentamentos reais, ainda que por meio de respostas políticas que aprofundam outras contradições.

Também é necessário considerar o peso da interferência imperialista. Trump manteve uma relação política próxima com a família Bolsonaro e adotou medidas de pressão econômica, política e diplomática contra o governo Lula. Trump declarou às vésperas da eleição que acompanhava o processo brasileiro “muito de perto”, enquanto diferentes autoridades e parlamentares norte-americanos se envolveram no debate sobre a situação política brasileira. A ingerência trumpista se combina com uma dinâmica interna de frustração com a Frente Ampla lulista.

Mas, como já vimos no Brasil e em outros países onde a extrema direita chega ao governo, ela não demora a frustrar as expectativas e a entrar em crise. A virada eleitoral à direita nestas eleições não representa um processo consolidado. Será responsabilidade das direções da classe trabalhadora fazer com que a luta de classes fale mais alto, derrotando a ofensiva reacionária, rompendo com essa polarização e construindo uma alternativa socialista e independente.

A extrema direita se combate à esquerda

É preciso olhar para essa realidade e tirar as consequências políticas necessárias. A disputa contra a extrema direita passa também pela capacidade de apresentar respostas concretas aos problemas que afetam a classe trabalhadora e os setores populares: salários, emprego, saúde, educação, moradia, direitos trabalhistas e previdenciários, serviços públicos, meio ambiente e condições dignas de vida.

A extrema direita representa um projeto de ofensiva reacionária contra os direitos democráticos e sociais conquistados pela classe trabalhadora. Ela deve ser derrotada nas urnas e nas ruas. Não é suficiente apelar a discursos vazios em defesa da “democracia” ou a ideias gerais que não têm impacto real na vida cotidiana das maiorias populares. A ilusão progressista demonstra-se incapaz de deter o avanço reacionário.

Diante desse cenário, é urgente que as centrais sindicais, entidades estudantis, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda saiam às ruas. É preciso construir uma mobilização nacional que coloque o povo nas ruas contra Bolsonaro, Trump e a extrema direita.

Derrotar a extrema direita nas urnas é uma tarefa fundamental, no caminho de superar de vez essa ofensiva reacionária com uma alternativa política que vá além da ilusão frente-amplista do progressismo. Por isso, no segundo turno é derrotar a ultra direita conservadora, subserviente ao imperialismo, nas urnas, votando Lula 13 e nas ruas, mobilizando a classe trabalhadora.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

© 2025  Revolução Socialista - Brasil. Todos direitos reservados.

Desenvolvido por: Arte Net

bottom of page