Derrotar o bolsonarismo com a agenda da classe trabalhadora e não dos capitalistas!
Por Verónica O’Kelly

O primeiro turno eleitoral deixa, sobretudo, uma tarefa e uma conclusão: é urgente derrotar a extrema direita, mas isso não será possível sem que Lula se radicalize, não apenas no discurso, mas com medidas concretas que rompam com as políticas neoliberais e respondam, de fato, às demandas das maiorias trabalhadoras e populares.
A polarização continua sendo a marca da conjuntura, e é a partir dela que devemos interpretar a realidade para poder transformá-la. Por isso, a mobilização já começou. Em todo o país, há diversas convocatórias para organizar a virada no segundo turno. Essa mobilização é a única possibilidade de derrotar a extrema direita nas urnas e nas ruas!
A peste bolsonarista deve ser liquidada
O retorno da extrema direita ao governo no Brasil significaria um golpe contra a classe trabalhadora brasileira e latino-americana. Flávio, filho de Jair Bolsonaro, encarregado das relações diretas com as milícias e responsável por parte dos negócios corruptos da família, sai fortalecido do primeiro turno e segue na expectativa de vencer as eleições em 25/10. Isso precisa ser impedido, em defesa própria, porque a extrema direita brasileira, fortemente bancada e alinhada a Trump, se propõe a instalar uma ofensiva feroz contra o povo.
Mas nem tudo serão flores para ele. No Brasil, como no resto do mundo, a classe trabalhadora resiste à ofensiva reacionária que os governos de extrema direita tentam impor. Foi por isso que Jair Bolsonaro perdeu as eleições em 2022 e é justamente por isso que um eventual governo de Flávio Bolsonaro terá de enfrentar a mesma situação.
Trabalhadoras e trabalhadores, jovens, mulheres, pessoas LGBTQIA+, negras e negros, indígenas não estão dispostos a perder suas conquistas. A extrema direita se equivoca se pensa que terá um governo tranquilo. Enfrentará muita luta e resistência.
A conciliação de classes lulista abre espaço para o crescimento do bolsonarismo
A picanha e a cerveja na mesa não chegaram. O que chegou foi inflação, baixos salários, precarização do trabalho e cortes nos gastos sociais. Enquanto os mesmos de sempre se enriquecem, as maiorias vivem cada vez pior. Essa, e não outra, é a principal razão pela qual Lula perdeu no primeiro turno.
Em quatro anos de governo, Lula negociou com o Centrão, a direita tradicional e a própria extrema direita. Rifou direitos conquistados e se negou a responder às demandas das massas que o levaram à Presidência em 2022. Também se dedicou a desmobilizar processos de luta, como vimos, por exemplo, na luta contra a escala 6x1. Frustrou as expectativas de amplos setores da população e, agora, em campanha, pretende recuperar esse apoio apenas com bons discursos.
É necessário falar com fatos reais e concretos, capazes de responder de verdade à realidade das pessoas. A extrema direita bolsonarista se fortaleceu justamente sobre essa frustração das massas. Se quiser ganhar o segundo turno, Lula deve responder às demandas do povo trabalhador e pobre.
Para derrotar o bolsonarismo, é urgente colocar em primeiro plano um programa a favor da classe trabalhadora!
Em quase todo o país, ocorre uma mobilização que, em muitos lugares, tem caráter quase espontâneo, reunindo milhares de pessoas que querem derrotar o bolsonarismo e impedir que Flávio Bolsonaro vença o segundo turno.
É fundamental fortalecer esse processo de mobilização, participando dele e tomando iniciativas para fazê-lo crescer. A partir dessa mobilização, devemos defender e fortalecer um programa: o programa da classe trabalhadora.
Fim da escala 6x1 já! Contra a precarização do trabalho e pela valorização dos trabalhadores de aplicativos!
Aumento dos salários e controle de preços! Para impedir que a inflação continue corroendo o poder de compra da população.
Abaixo o Arcabouço Fiscal e não do pagamento da Dívida Pública! Dinheiro para o povo, não para os banqueiros!
Revogaço das contrarreformas!
Orçamento urgente para políticas de combate à violência de gênero, ao feminicídio e aos transfeminicídios!
Fim do desmatamento, da exploração de petróleo e combustíveis fósseis e do avanço do agronegócio! Por um modelo agroecológico e sustentável, voltado às necessidades do povo.
Abaixo o Marco Temporal! Em defesa das terras indígenas, dos recursos naturais e da manutenção das terras raras e minerais críticos sob controle do povo brasileiro.
Votar para derrotar o bolsonarismo. Construir para superar o lulismo e o PT!
Derrotar o bolsonarismo nas urnas é uma necessidade imediata. Mas não podemos parar aí. A experiência dos últimos anos mostra que não basta alternar entre projetos que, apesar das diferenças, mantêm a classe trabalhadora submetida aos limites e interesses da ordem capitalista.
Por isso, ao mesmo tempo em que enfrentamos a extrema direita, precisamos construir uma ferramenta política que vá além do Lula e do PT. Uma alternativa que supere a política de conciliação de classes, a adaptação à ordem e as sucessivas traições das correntes que abandonaram a perspectiva de transformação socialista.
Precisamos de um partido anticapitalista e socialista, construído pela classe trabalhadora, pela juventude e pelos setores populares que estão nas lutas. Um partido independente dos capitalistas, dos banqueiros e dos governos, que não troque seus princípios por cargos, acordos ou migalhas e que tenha como horizonte uma sociedade sem exploração e opressão.
Se você também entende que precisamos superar o caminho que levou a esquerda à adaptação e à conciliação com os de cima, essa construção precisa ser feita agora, nas lutas e nas ruas.
É hora de construir uma alternativa anticapitalista e socialista, vem com a gente!



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