Capitulação do PSOL abandona a disputa pela classe trabalhadora
- 6 de mai.
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Por João Pedro, da direção nacional da Revolução Socialista - LIS e da regional Paraná.
Estamos vivendo um momento de polarização social, de um lado o polo burguês aplica reajustes e tenta avançar na sua ampliação de ganhos de capital e do outro lado a classe trabalhadora resiste e se mobiliza segurando uma correlação de força na luta do dia a dia. A disputa se dá num cenário político em que a democracia burguesa perde cada vez mais sua credibilidade, as intuições falidas desse regime não conseguem mais segurar os interesses de crescimento de riqueza da burguesia e ainda buscam frear de forma institucional a luta da classe trabalhadora.

É assim que vamos entrar numa eleição no Brasil, onde se apresentam os partidos da conciliação de classes com projetos de gestão do capitalismo burguês e alguns pequenos partidos classistas.
PSOL se enraíza cada vez mais ao lado do reformismo PTista apoiando Lula desde o primeiro turno
Quando colocamos uma lupa nessa ala reformista que busca administrar a crise capitalista tentando convencer as massas que o menor impacto possível é melhor que a volta da extrema direita, para além do PT, vemos um papel de submissão do PSOL, num sentido totalmente contrário ao programa fundacional do próprio partido. A guinada à direita no PSOL, indo a reboque do PT e de sua política de conciliação de classe, dirigida por Guilherme Boulos da Revolução Solidária, em conjunto com a Primavera e mais algumas correntes internas, tenta convencer a classe trabalhadora que pela falta de condições reais de nos elegermos, devemos apoiar o PT contra o fortalecimento da extrema direita e da possível volta do Bolsonarismo ao governo. Uma avalição meramente eleitoral que coloca a luta de classes apenas na disputa de votos, desistindo de participar com uma postura crítica nas eleições e de incidir no avanço de consciência da classe trabalhadora com um programa anticapitalista, anti-imperialista e socialista. Essa renúncia ao tempo de TV e da participação nos debates, por exemplo, é a perda de oportunidade de falar com milhões de brasileiros.
Sem dúvida nessa eleição teremos um rebaixamento do debate eleitoral por conta dessa política de garantia e manutenção de votos, principalmente quando teremos debatidas em rede nacional pautas sobre o Sionismo colonizador e o genocídio do povo palestino, debate sobre dívida pública, taxa SELIC comendo R$ 1 trilhão da economia brasileira, arcabouço fiscal e o sucateamento do investimento público em setores como saúde e educação e talvez a mais importante para a classe trabalhadora atual que é o debate pelo fim da escala 6x1!
Nomes, como o do Deputado Federal Glauber Braga, sempre estão sendo debatido nos bastidores do PSOL, mas parece que esse ano a unanimidade em apoiar Lula já no primeiro turno foi garantida pela executiva nacional do partido, as principais correntes no PSOL, MES, Revolução Solidária, Primavera, além de outras menores lançaram documentos internos pautando o apoio a Lula no primeiro turno como garantia para avanço de qualquer debate posterior. Sabemos da importância política da derrota da ideia absurda de federação com os partidos do PT, PV e PC do B, se aprovada essa proposta liquidaria de vez o PSOL, colocando o partido numa federação tendo de apoiar figuras da direita da ordem e até mesmo da extrema direita pelo Brasil. Mesmo assim essa pequena vitória vai se diluindo nas capitulações feitas para apoiar o governo de frente ampla de Lula e do PT, que tem traído a classe trabalhadora desde que se elegeu, um governo com ministros de extrema direita que tem figuras bolsonaristas em suas fileiras. O que em definitivo é a principal causa do crescimento do bolsonarismo e não outra.
O MES tenta voltar a disputar o PSOL com a filiação democrática de Jones Manoel e apostando no resultado eleitoral para derrotar Boulos
Uma das correntes com maior expressão política no PSOL, o MES (Movimento Esquerda Socialista) aposta na cooptação de nomes conhecidos, como o de Jones Manoel, e no fortalecimento dos seus nomes já consolidados, em destaque temos Samia Bonfim, para disputar a hegemonia do partido e dar os novos rumos políticos que entendem necessários. Aqui precisamos aprofundar o debate com os companheiros do MES, por ter sido uma corrente que por muitas vezes se apresentou contrária a essa aparatagem feita por Boulos em direção ao PT, inclusive uma corrente fundacional do PSOL por ter sido expulsa do PT ainda em 2003.
O apoio dos companheiros a Lula no primeiro turno é o abandono da independência política do PSOL nas eleições, o abandono da possibilidade de uma candidatura forte com uma debate politico contundente, estão deixando de lado a disputa da consciência da classe trabalhadora nessa eleição para a manutenção de bons nomes nas câmaras legislativas, assim vamos vendo o PSOL ser esquecido pelas massas trabalhadoras como uma possibilidade real de construção de projeto político por fora do aparato do PT, principalmente na juventude explorada em escala 6x1 vivendo sem perspectiva de nenhuma vitória pela via institucional. Não ser uma possibilidade nos retira a credibilidade, apoiar Lula é um erro que expressa a negativa a disputar o espaço a esquerda que o governo deixa produto das políticas de ajuste e austeridade que vêm aplicando. Aceitar a ilusão do mal menor, ou do menor impacto mediante a o pior cenário e errar na leitura sobre o avanço da extrema direita que é real, porém ela cresce justamente nas nossas brechas e nos vacilos históricos que demos no decorrer das muitas janelas de oportunidade desperdiçadas. Não basta só ter bons nomes na disputa eleitoral, é preciso um projeto para direcionar o descontentamento das massas com a institucionalidade democrática burguesa!
Nessa eleição seriamos nós a constranger o miliciano Flavio Bolsonaro nos debates, nas redes e nas ruas, seriamos nós a colocarmos a possibilidade de vencer a extrema direita com um programa socialista, só seríamos, por não podermos ser.
Isso vale para demais candidaturas que poderíamos ter nas eleições executivas para governos de estado, bons exemplos são o Paraná e o Rio Grande do Sul onde o Bolsonarismo vai consolidando eleição após eleição. Estão renunciando as conquistas históricas feitas por militantes de base que construíram o PSOL, a direção do PSOL está tomando decisões a portas fechadas, medindo correlação de força interna pela disputa do aparato eleitoral que o PSOL se tornou. Um descolamento total da base lutadora e fundadora do partido. Nós da Revolução Socialista fazemos um apelo geral a todos os companheiros que ainda acreditam na construção pela base, na democracia interna do partido, na possibilidade de tomada de decisão com um debate mais bem elaborado, precisamos do PSOL na construção de um programa anticapitalista e socialista, só assim poderemos levar nosso projeto às massas exploradas e oprimidas no Brasil.
As alternativas independentes e suas possibilidades reais:
O vacilo de não se apresentar eleitoralmente dado pelo PSOL deixa um vácuo político à esquerda, PCB, PSTU e UP estão dispostos a absorver parte dessa militância descontente com as fracas atuações do PSOL e do PT nessa eleição. As forças revolucionárias terão suas candidaturas, PCB com Edmilson Costa, PSTU com Hertz Dias e a UP com Samara Martins. Mais uma vez os partidos classistas se fragmentam e lançam candidaturas em separado, dispersando suas forças e tendo menor incidência eleitoral. Sabemos que as eleições burguesas estão sendo disputadas pelos revolucionários para a derrubada do sistema capitalista, estamos ali para fazer agitação e propaganda, com programas baseados nas necessidades reais da classe trabalhadora, construindo pontes entre elas e a única solução possível: O Fim do Capitalismo.
Ainda é cedo para avaliar o resultado das escolhas feitas, principalmente de cada partido se lançar em separado. Há necessidade de um debate sobre autoconstrução, ainda mais no momento atual em que cresce a revolta mundial contra Trump e todos os governos que praticam uma ofensiva constante contra os povos, provocando um maior acirramento da luta de classes, saber ceder e entender como seria a melhor forma de estarmos ativos agitando e propagandeando uma candidatura com maior capacidade de inserção teria que pelo menos ter sido debatido entra as forças classistas. Vivemos um momento de pouca unidade de ação e quase nenhuma unidade política, o sectarismo e a autoproclamação são um obstáculo para a possibilidade real de um avanço socialista na consciência das massas. Vimos no 01 de Maio como foi difícil juntar companheiros para conversar sobre os atos e a necessidade de fortalecer uma data tão importante para trabalhadores do Brasil inteiro.
Nos colocamos como uma força disposta a debater os rumos de intervenção possível nessas eleições, fortalecendo a ideia de superação do capitalismo por uma proposta socialista dialogada com as massas trabalhadoras. Faltam espaços onde possamos fazer os devidos debates, desenvolver táticas conjuntas e ir para as ruas organizados. Construir ou fortalecer onde existam, frentes de luta, frentes únicas, unidades políticas e unidades de ação, sempre respeitando as diferenças que existem entre nós.
Nossa avaliação é que por estarem à deriva grande parte da classe trabalhadora está abandonando a ideia de participar das eleições burguesas, deixando de votar. Assim se consolida a ideia de não haver uma solução viável e abandonam a participação eleitoral, os partidos revolucionários perdem a possibilidade de intervir por não ter capacidade de dialogar e construir unidades táticas fundamentais nessa disputa de consciência.
Nosso papel é protagonizar uma solução revolucionária!
Lula está perdendo força e Flavio Bolsonaro cresce nas pesquisas, as condições de vida da classe não melhoram, a juventude se vê cada vez mais sem perspectiva de um futuro digno, os aposentados podendo perder o que lhes resta de direitos, as mulheres seguem sendo assassinadas, a violência contra a população LBGTQIAPN+ avança, não há possibilidade de acreditar na solução eleitoral para solucionar problemas cíclicos que vivemos como sociedade no Brasil. Há uma falsa ideia entre ganhar ou perder nessa eleição, com Lula não estamos tendo vitórias reais, o pouco que foi conquistado se deu por pressão popular nas ruas, enquanto o PT tenta construir um cenário de paz, não dando apoio às lutas nas ruas, para construir uma eleição tranquila. Por isso o bolsonarismo cresce e se consolida como a principal força de oposição.
Nós revolucionários não podemos errar esse ano, nossa função não é disputar as eleições para ser o próximo fantoche presidencial gestor da crise capitalista, não queremos disputar algumas migalhas a mais enquanto a burguesia nacional e internacional rapina o Brasil e faz suas riquezas crescerem por serem donos do poder nessa dinâmica. Estamos nessas eleições para ser uma força de superação aos gestores do Capitalismo, queremos dialogar com a base da classe trabalhadora, com os militantes que não aceitam se aparatar, com trabalhadores dispostos a lutar por dignidade em seus postos de trabalho, com a juventude pleiteando um futuro de verdade, com a população LGBTQIAPN+ que não se curva diante da violência cotidiana. Juntemos a classe num programa anticapitalista, anti-imperialista e socialista para deter o crescimento da extrema direita bolsonarista e qualquer ataque dos governos liberais ou até daqueles que se pintam de progressistas e governam contra as maiorias exploradas.



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