Trump-Lula: tapete vermelho para a entrega das “terras raras”
- há 22 minutos
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Por Verónica O’Kelly
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil”, publicou Donald Trump em suas redes sociais logo após o encontro em que estendeu um tapete vermelho ao presidente brasileiro. Lula, por sua vez, respondeu com entusiasmo: “A nossa relação é muito boa. Eu diria uma relação que pouca gente acreditava que pudesse acontecer em tão pouco tempo”.

E foi além. Disse que a relação entre os dois parecia “amor à primeira vista”, “aquela química”, e afirmou esperar que esse vínculo siga existindo com qualquer governo brasileiro. As declarações não poderiam ser mais simbólicas. Em um momento de crise internacional, com a extrema direita crescendo e uma escalada imperialista, Lula escolhe celebrar sua aproximação com Trump.
Mas não se trata apenas de palavras. O encontro esteve diretamente ligado aos interesses econômicos e estratégicos do imperialismo norte-americano sobre os recursos naturais brasileiros, especialmente as chamadas “terras raras”. Lula afirmou que o Brasil deve “compartilhar com quem queira fazer investimento” e convidou empresas estrangeiras a participarem da mineração e exploração desses recursos, apoiando-se na nova regulamentação aprovada pelo Congresso.
Estamos falando de uma lei nefasta que aprofunda o modelo extrativista, dependente e subordinado ao capital internacional. Uma política que coloca em risco bens comuns estratégicos, amplia a destruição ambiental, ameaça territórios e populações e reforça um padrão econômico baseado na exportação de riquezas naturais enquanto a maioria da população trabalhadora segue convivendo com desemprego, precarização, inflação e baixos salários. Não há nada de “desenvolvimento soberano” em entregar minerais estratégicos às grandes potências e multinacionais.
Segundo Lula, as “maiores democracias” do continente são um exemplo para o mundo
Ao mesmo tempo, Lula fez elogios à “democracia” dos Estados Unidos. A mesma democracia imperialista responsável por invasões, guerras, bloqueios econômicos e ataques permanentes aos povos do mundo. A mesma democracia que sustenta política, militar e economicamente o Estado sionista de Israel no genocídio televisionado contra o povo palestino em Gaza, o apartheid e a limpeza étnica na Cisjordânia.
As declarações de Lula soam ainda mais revoltantes diante do sequestro do companheiro Thiago Ávila, detido em uma ação de pirataria promovida por Israel no Mediterrâneo enquanto participava de uma missão humanitária de solidariedade ao povo palestino, levando água, alimentos e medicamentos à população submetida à fome e à destruição em Gaza.
É inaceitável que, enquanto Trump ameaça povos do mundo inteiro, fortalece políticas de guerra e impulsiona ataques às liberdades democráticas e aos direitos sociais, Lula seja recebido com honras e saia do encontro celebrando uma espécie de “namoro” político com o principal representante da ofensiva imperialista e reacionária internacional.
As revolucionárias e os revolucionários não podem assistir a isso em silêncio. É necessário defender a independência de classe, a soberania dos povos e a luta internacionalista contra toda forma de dominação imperialista. Seguimos ao lado do povo palestino, libanês, iraniano, venezuelano, cubano e ucraniano contra qualquer agressão imperialista, pela autodeterminação dos povos e por uma saída socialista e revolucionária diante da barbárie capitalista.



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