Sônia Godeiro: uma senadora socialista para o Rio Grande do Norte
- 22 de jul.
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A Revolução Socialista terá candidatura própria ao Senado no Rio Grande do Norte. O nome apresentado por nós, com apoio de outras forças do partido, é o da companheira Sônia Godeiro, médica pediatra com longa trajetória no movimento sindical do estado e que já foi a candidata da Revolução Socialista à vereadora de Natal em 2024.
O nome da companheira, que já começa a pontuar nas primeiras pesquisas desde que foi apresentado publicamente, surge em um momento crucial da corrida eleitoral, e demarca a necessidade do PSOL ter candidatura própria nos estados. No Senado, o Rio Grande do Norte é representado por dois parlamentares que pouco ou nada representam de fato os trabalhadores.

De um lado, Zenaide Maia (PSD) é vice-líder do governo Lula no Senado, mas rompeu com o PT a nível local para apoiar a pré-candidatura de Allyson Bezerra (União), direitista maquiado de centro que neste ano foi alvo de batida da Polícia Federal em sua casa. Ele é suspeito de participar de um suposto esquema criminoso voltado de desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde na Prefeitura de Mossoró.
Do outro, Styvenson Valentim (Podemos) foi eleito na onda antipolítica de 2018 e é candidato à reeleição na chapa do bolsonarismo. O senador é ainda subscritor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, de autoria de Rogério Marinho (PL-RN), que precariza o emprego, permite que os trabalhadores façam até uma escala 7×0 e vai de encontro ao fim da escala 6x1. Ou seja, é um alinhamento ao esperado pela burguesia e o empresariado.
Ao mesmo tempo, a pré-candidatura da Revolução Socialista coloca o PSOL como protagonista nas eleições no Rio Grande do Norte, na chapa com Robério Paulino ao governo e Sandro Pimentel na outra vaga ao Senado. No momento em que a maioria da direção nacional do PSOL capitula, desiste de apresentar candidatura própria à presidência e deposita cada vez mais suas esperanças na democracia burguesa, utilizaremos as eleições para denunciar esse regime de exploração e corrupção, sem nenhuma ilusão de que as eleições irão mudar nossas vidas.
Como fração pública do PSOL, a Revolução Socialista rejeita o caráter de submissão do PSOL ao PT. É por isso que, mesmo com as propostas de união feitas pelo PT potiguar para que estivéssemos na mesma coligação, defendemos desde o princípio que pudéssemos apresentar nossos próprios nomes. A candidatura feminista da Revolução Socialista estará nas ruas em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e na denúncia ao bolsonarismo em todas as suas dimensões. Também não recuaremos de fazer oposição ao governo estadual de Fátima Bezerra (PT), Eleito sob a promessa de romper com a oligarquia potiguar e inaugurar uma era de desenvolvimento social, o governo de Fátima Bezerra (PT) no Rio Grande do Norte converteu-se em mais uma peça da engrenagem fiscalista que pune a classe trabalhadora. Sob o pretexto da crise orçamentária, a gestão optou pela via do ajuste: priorizou a elevação do ICMS, imposto regressivo que pesa desproporcionalmente no bolso dos mais pobres, e assumiu o papel de mera gerente da austeridade fiscal burguesa, renunciando ao investimento público e à transformação estrutural do estado.
Essa postura de submissão ao garrote fiscal reflete-se diretamente na entrega dos nossos recursos ao capital privado. Embora o RN ostente o protagonismo na geração de energias renováveis, o governo atua de forma passiva, permitindo que o estado seja reduzido a um enclave neocolonial exportador de energia limpa. Sem exigir a reindustrialização local ou o fortalecimento de cadeias produtivas complexas, as multinacionais do setor eólico e solar lucram bilhões, enquanto a população arca com o impacto ambiental e socioeconômico, sem contrapartida de empregos soberanos e de qualidade.
Nos serviços públicos, a maquiagem progressista desmorona. A despeito do discurso histórico de ligação com o movimento sindical, a gestão acumula graves conflitos com categorias essenciais, especialmente na saúde e na educação. O sucateamento planejado da rede estadual, o descumprimento de pautas históricas e a perpetuação do trabalho precarizado por meio de contratos temporários evidenciam as limitações do projeto petista: a conciliação de classes que rifa os direitos dos servidores em nome da governabilidade com a burguesia local.
O limite do governo Fátima é estrutural. Não se constrói justiça social adotando a cartilha liberal-fiscalista exigida pelos mercados. Para a classe trabalhadora potiguar, a saída não passa pelo arrocho continuado, mas pelo rompimento com essa lógica. A verdadeira alternativa para o Rio Grande do Norte exige a imposição de um planejamento estatal soberano, assentado na reindustrialização sob controle dos trabalhadores, na valorização irrestrita do funcionalismo e no financiamento robusto dos serviços públicos.
Perfil
Sônia Maria Godeiro é médica pediatra, nascida em Patu, formada pela UFRN e com residência médica em Brasília. Reconhecida por sua dedicação às lutas sociais, iniciou sua militância ainda na juventude, durante a ditadura militar, vinculando-se à Convergência Socialista. Há mais de 40 anos atua em movimentos sociais, sindicais e populares.
Foi dirigente do Sindsaúde/RN, onde conquistou vitórias históricas para os trabalhadores da saúde, liderou mobilizações que garantiram a convocação de mais de mil concursados, oriundos do certame realizado em 2018. Nessa pauta, segue atuando na defesa dos concursados da saúde de 2025, já assegurando a nomeação de cerca de dois mil servidores.
Atualmente, dirige a Associação de Aposentados da Saúde do Rio Grande do Norte (Apas/RN), entidade que conquistou melhorias para aposentados e pensionistas, como a equiparação da data de pagamento dos salários. Ao longo de sua trajetória, Sônia Godeiro consolidou-se como referência combativa e firme na defesa dos direitos da classe trabalhadora e do fortalecimento do serviço público.



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Minha candidata, com certeza!