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Sobre a nota do PCBR: construir a unidade dos revolucionários, um diálogo necessário

há 2 dias
4 min de leitura

A recente nota política do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), intitulada “Construir a unidade entre a esquerda revolucionária, rejeitar as vacilações ao social-liberalismo”, apresenta um conjunto de definições com as quais temos importantes pontos de acordo.




Consideramos positivo que o PCBR coloque no centro do debate a necessidade de construir a unidade da esquerda revolucionária, tanto no terreno eleitoral quanto, principalmente, nas lutas e na construção de uma alternativa política independente dos projetos burgueses. Essa discussão é particularmente importante diante do cenário que atravessamos, marcado pela ofensiva da extrema direita, pela pressão da Frente Ampla sobre setores da esquerda e pela necessidade de oferecer uma perspectiva própria para a classe trabalhadora e os setores populares.


No terreno eleitoral, compartilhamos a necessidade de apresentar uma alternativa independente, sem subordinação ao governo Lula e à Frente Ampla.

Também consideramos fundamental combater a extrema direita sem, para isso,

aceitar a adaptação ao projeto governista. Nesse sentido, há um terreno importante de diálogo e ação comum entre nossas organizações.


Um gesto concreto de unidade


Queremos destacar especialmente uma definição da nota do PCBR que nos diz respeito diretamente: o apoio à candidatura de Sônia Godeiro, no Rio Grande do Norte.


O fato de o PCBR ter decidido apoiar nossa candidatura, reconhecendo seu caráter independente e revolucionário, é um gesto político que valorizamos. Mais do que um apoio eleitoral, ele demonstra que existem possibilidades concretas de convergência entre organizações que, embora tenham histórias, tradições e algumas diferenças políticas, compartilham posições fundamentais diante da situação atual.


Esse exemplo mostra que é possível avançar. Se conseguimos encontrar pontos de acordo para construir uma intervenção comum nas eleições, podemos também começar a discutir como ampliar essa convergência para outros terrenos da luta de classes.


Temos muitos acordos dos quais partir. E acreditamos que devemos partir justamente deles, sem esconder as diferenças, mas sem permitir que elas impeçam a construção de iniciativas comuns.


A unidade eleitoral é importante, mas não basta


A nota do PCBR dá um passo importante ao afirmar que a unidade entre os revolucionários não pode se limitar às eleições. Concordamos plenamente com essa perspectiva.


As unidades eleitorais são importantes. Permitem apresentar uma alternativa independente, ampliar a voz das organizações revolucionárias e disputar a consciência de milhares de trabalhadores e jovens. Mas as eleições são apenas um momento da luta política. A classe trabalhadora enfrenta diariamente a exploração, a precarização, os ataques aos direitos, o racismo, a opressão, a destruição ambiental e as consequências das guerras, da ofensiva imperialista e hoje a perigosa extrema direita que cresce. É nesses terrenos que também precisamos construir unidade.


Por isso, consideramos particularmente importante o chamado do PCBR para construir uma “Frente Anticapitalista e Antiimperialista”, capaz de unificar, na luta socialista revolucionária, os movimentos operários e populares que se enfrentam com o Estado capitalista e a dominação burguesa no campo e na cidade. Saudamos essa proposta e estamos dispostos a dialogar sobre como concretizá-la. Mas acreditamos que a discussão precisa avançar ainda mais.


Da unidade de ação ao reagrupamento dos revolucionários


O problema que temos diante de nós não é apenas como coordenar organizações que já existem. É como superar a enorme fragmentação da esquerda revolucionária e construir uma direção política capaz de responder à dimensão dos desafios que enfrentamos.


O mundo atravessa uma etapa marcada por guerras, pela ofensiva imperialista, pelo genocídio do povo palestino, pelo crescimento da extrema direita e por ataques cada vez mais duros contra as condições de vida da classe trabalhadora. Ao mesmo tempo, vemos respostas importantes dos trabalhadores e dos povos em diferentes partes do mundo.


Existe resistência. O que continua faltando é uma direção revolucionária capaz de transformar essa resistência em uma força política consciente, organizada e orientada para a superação do capitalismo. Essa contradição coloca diante de nós uma tarefa urgente.

Como corrente internacional, da Liga Internacional Socialista (LIS) e também no Brasil, estamos desenvolvendo um chamado ao Reagrupamento dos Revolucionários. Partimos da compreensão de que a fragmentação atual não pode ser naturalizada. É necessário criar espaços de diálogo, ação comum, elaboração política e construção conjunta entre organizações e militantes revolucionários.

Não se trata de apagar diferenças políticas ou de construir uma unidade artificial. Trata-se de encontrar os pontos de acordo que permitam avançar, testar na prática formas de trabalho comum e, a partir daí, discutir as diferenças de maneira fraterna e política.


A experiência demonstra que as divisões da esquerda revolucionária não podem ser superadas apenas por declarações de intenção. É necessário construir na prática.


Um diálogo que precisamos começar


Nesse sentido, vemos com interesse a experiência que está sendo desenvolvida na Argentina em torno da FITU. Independentemente das diferenças e das particularidades de cada país, existe ali uma experiência que merece ser discutida: organizações revolucionárias que, durante anos, estiveram separadas conseguiram construir um espaço comum de intervenção política e eleitoral.


Para nós, o desafio é avançar ainda mais: transformar unidades eleitorais e frentes de intervenção em processos capazes de aproximar organizações, militantes e programas revolucionários. É justamente por isso que consideramos importante o diálogo aberto pela nota do PCBR.


O apoio à candidatura de Sônia Godeiro é um exemplo concreto de que podemos encontrar caminhos de ação comum. O chamado a uma Frente Anticapitalista e Antiimperialista aponta para uma perspectiva que também consideramos necessária. E a compreensão de que a unidade revolucionária precisa se construir para além das eleições abre uma discussão que queremos aprofundar.


Não pretendemos apresentar uma fórmula pronta. Queremos abrir um debate. Acreditamos que é possível começar pelos acordos que já existem, construir iniciativas comuns e avançar progressivamente para formas superiores de unidade política e organizativa.


A situação exige isso. A ofensiva da extrema direita, o avanço da barbárie capitalista e a crise das alternativas tradicionais do reformismo colocam uma enorme responsabilidade sobre os revolucionários.


Por isso, saudamos os pontos de encontro expressos na nota do PCBR e esperamos que este seja o início de um caminho de diálogo entre nossas organizações. Temos diferenças a discutir, mas também temos muitos acordos e uma tarefa comum diante de nós.

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