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Eleições no Paraná: no primeiro turno, não vote na extrema direita, nem na Frente Ampla lulista. Vote nas candidaturas da esquerda independente!

há 1 dia
5 min de leitura

Por direção da regional Paraná.


A extrema direita avança no Paraná e se apresenta como uma alternativa para administrar a crise do capitalismo. Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e outras figuras desse campo têm obtido sucesso eleitoral explorando um discurso de combate à corrupção e mobilizando os valores mais reacionários. É impossível enfrentar esse avanço com uma política de conciliação de classes ou com o rebaixamento das bandeiras das maiorias populares.



Uma oposição consequente à extrema direita deveria partir justamente do enfrentamento ao pior que o capitalismo tem a oferecer, apresentando uma alternativa política para a classe trabalhadora. No entanto, a resposta predominante dos setores que se apresentam como oposição no Paraná tem sido a construção de uma Frente Ampla com partidos que abandonam ou enfraquecem seus programas para estabelecer alianças eleitorais, como PT, PDT, PSB, REDE, PV e, infelizmente, até mesmo o PSOL.


O argumento utilizado é que seria necessário conquistar vagas no Parlamento para confrontar a extrema direita e que, para isso, qualquer unidade seria indispensável. Mas uma política que não coloca a classe trabalhadora no centro da equação não cria força social suficiente para derrotar a extrema direita. Ao contrário: ao abrir mão de um programa próprio e apostar todas as fichas nas eleições parlamentares, essa oposição apresenta um discurso frágil, incapaz de oferecer uma alternativa real diante da crise. O resultado é que a extrema direita continua se fortalecendo e se apresentando como uma opção viável para administrar a constante crise deste sistema.


A Frente Ampla lulista não é uma alternativa


Acreditamos que a política de Frente Ampla nunca foi uma solução para enfrentar a extrema direita. Pelo contrário, a conciliação com setores da burguesia e o rebaixamento das bandeiras da esquerda acabam contribuindo para fortalecer o espaço político ocupado pela direita.


No Paraná, essa política se expressa também nas candidaturas de Requião Filho ao governo e Gleisi Hoffmann ao Senado. Ambos apresentam ao povo a perspectiva de que, por meio das instituições e do voto em candidaturas da Frente Ampla, seria possível recuperar direitos, melhorar a qualidade da educação e da saúde e até reestatizar empresas privatizadas.


O problema é que as mesmas instituições que hoje são apresentadas como caminho para recuperar direitos estão submetidas aos interesses da burguesia e à lógica do capitalismo. Não será simplesmente por meio da eleição de representantes da Frente Ampla que a classe trabalhadora conquistará as mudanças prometidas. A consequência dessa política tende a ser mais uma frustração para aqueles que depositam suas expectativas em promessas que não poderão ser cumpridas nos marcos da conciliação com os setores que lucram com a exploração.


Também no Paraná podemos observar a continuidade da política adotada pelo PT em nível nacional. Basta analisar sua atuação na Câmara dos Deputados e no Senado em pautas que atingem diretamente os interesses da classe trabalhadora, como a aprovação e manutenção do Arcabouço Fiscal, os cortes do BPC e a obstrução eleitoreira do Fim da Escala 6x1. A conciliação com a burguesia e a participação em um governo que mantém uma política econômica neoliberal colocam limites cada vez mais evidentes para qualquer projeto de transformação social.


Por isso, não acreditamos que a saída esteja em ampliar indefinidamente a Frente Ampla. Uma esquerda que se pretende alternativa à extrema direita precisa recuperar sua independência política, levantar suas próprias bandeiras e apresentar um programa que dialogue com as necessidades concretas da classe trabalhadora.


Uma esquerda independente e anticapitalista


O período eleitoral é um dos momentos em que a classe trabalhadora está mais aberta ao debate político e esse debate não precisa se limitar à disputa entre candidaturas. É uma oportunidade para discutir as condições de vida, a exploração e a opressão produzidas pelo capitalismo e as alternativas necessárias para superá-las.


Uma esquerda independente de governos e de patrões pode dialogar de maneira consequente com essa realidade, com uma política pé-no-chão. Pode apresentar um programa que parta das necessidades concretas da população e que não esteja subordinado aos interesses da burguesia.


É nesse sentido que defendemos uma oposição classista no Paraná: uma oposição que não abaixe as bandeiras, enfrente a extrema direita sem se subordinar à Frente Ampla lulista, que combata os ataques da burguesia aos direitos da classe trabalhadora e que utilize o espaço eleitoral para apresentar uma perspectiva de transformação social.


Defendemos o fim da escala 6x1, mais investimentos em moradia, saúde, educação, políticas efetivas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, o não pagamento da dívida pública e a dissolução do arcabouço fiscal, dentre outras reivindicações que enfrentam diretamente os interesses dos que lucram com a exploração da maioria da população.


Vote na esquerda independente!


É por isso que, no Paraná, apoiamos as candidaturas do PSTU e da UP, que se apresentam como alternativas independentes dos governos e dos patrões, defendendo uma política de enfrentamento aos interesses da burguesia e ao avanço sobre os direitos da classe trabalhadora. Para o governo do estado, apoiamos Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP); para o Senado, Joaquim Silva (UP); para deputado estadual, Bia Brehm (PSTU), Juliana Mendes (UP) e para federal Julia Marinho (UP).


Também apoiamos, de maneira crítica, algumas candidaturas do PSOL. Somos críticos da decisão do partido de apoiar Lula já no primeiro turno e, no Paraná, também a Requião Filho e Gleisi Hoffmann. Esse apoio representa um recuo em relação à construção de uma referência independente de esquerda e de oposição à Frente Ampla. Apoiamos Professora Angela, Jean Henrique e Eloy Nhandewa, para a Assembleia Legislativa, e Alana Landal, para deputada federal, considerando suas posições políticas e sua atuação em defesa dos interesses da classe trabalhadora. A candidatura de Jean Henrique, para deputado estadual, é uma exceção importante; por manter uma posição independente na campanha à Presidência, não acompanhando o apoio a Lula no primeiro turno.


Ao mesmo tempo, reconhecemos que, no Congresso Nacional, houve votações em que parlamentares do PSOL priorizaram os interesses da classe trabalhadora. É por isso que mantemos o apoio crítico a algumas candidaturas do partido no Paraná, sem deixar de fazer as críticas que consideramos necessárias às suas posições políticas.


Neste primeiro turno, não votamos na extrema direita nem na Frente Ampla lulista. Chamamos voto na esquerda independente.


Não se trata apenas de ganhar ou perder uma eleição. Trata-se de utilizar o espaço eleitoral para fortalecer uma alternativa política da classe trabalhadora, recuperar a presença de posições independentes nos debates, entrevistas e espaços de comunicação e disputar o sentido político dessa eleição.


Enquanto um partido revolucionário, entendemos o papel das eleições numa democracia burguesa, logo, sua insuficiência e potencial de despolitização. Precisamos voltar a apresentar uma perspectiva própria para aqueles que sofrem diariamente com a exploração, os baixos salários, a precarização do trabalho, a falta de saúde e educação públicas de qualidade e todas as demais mazelas produzidas pelo capitalismo.


O fortalecimento eleitoral da esquerda independente pode contribuir para reconstruir uma referência política para avançar na unidade entre as organizações da esquerda socialista, que mantêm uma posição independente diante dos governos e dos patrões.


No Paraná, no primeiro turno, não vote na extrema direita nem na Frente Ampla lulista. Vote nas candidaturas da esquerda independente!

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