Defender a soberania! Contra a extrema direita e qualquer ingerência imperialista no Brasil!

Por Verónica O’Kelly
O Brasil atravessa uma nova etapa da crise do regime político. A poucos dias das eleições, a extrema direita busca explorar essa crise para alterar a correlação de forças e beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro, que cresce nas pesquisas, com Lula se mantendo no mesmo patamar, mas sem conseguir superar o empate técnico.
Sabemos que a extrema direita não pretende democratizar as instituições, mas sim criar condições políticas para impor um projeto econômico que interessa aos capitalistas e, particularmente, ao imperialismo: entregar a soberania, aprofundar o ajuste fiscal, retirar direitos, precarizar e explorar a classe trabalhadora.
Essa ofensiva também tem uma dimensão internacional. O governo Trump e setores do imperialismo estadunidense vêm pressionando o Brasil, enquanto setores do bolsonarismo buscam abertamente apoio em Washington para atacar integrantes do STF e interferir nos rumos da política nacional. É evidente que a atual crise de corrupção que atinge o mais alto da cúpula da Justiça burguesa, os ministros da Suprema Corte, é resultado de uma manobra reacionária orquestrada pelo bolsonarismo e Trump. Trata-se de uma ingerência direta no processo eleitoral brasileiro, a menos de 20 dias do primeiro turno.
Embora seja bom destacar que não se trata apenas de alguns juízes, de algum governante ou de empresários, estamos falando de que o sistema capitalista é corrupto, explorador e incapaz de dar emprego, colocar comida na mesa, garantir saúde, educação e lazer à maioria da população. A farra dos banqueiros é entre eles, entre ricos e poderosos, os que fatiam o bolo e só deixam cair migalhas na mesa da classe trabalhadora. Vorcaro é apenas a ponta do iceberg.
Diante disso, defendemos a soberania brasileira contra qualquer ingerência imperialista. Não aceitaremos que Trump, o governo dos Estados Unidos ou qualquer potência estrangeira determine os destinos do povo brasileiro. Isso não significa defender o STF tal como existe, nem fechar os olhos aos privilégios e problemas de um sistema de Justiça que historicamente não tem controle popular.
Democratizar radicalmente a Justiça
Precisamos discutir uma transformação profunda e democrática dessas instituições. Defendemos que ministros e juízes sejam eleitos pelo voto popular, tenham mandatos limitados e possam ser revogados pela expressão popular. Defendemos mecanismos efetivos de controle democrático sobre o Poder Judiciário e uma Justiça que deixe de funcionar como instrumento de punição dos pobres e de proteção dos interesses da classe dominante.
Mas essas mudanças não devem ser decididas por acordos de cúpula entre os poderes, pelos mesmos setores que controlam o regime ou por pressões externas. Precisam ser discutidas democraticamente e conquistadas pela população.
Queremos uma democracia superior à que o capitalismo pode oferecer: uma democracia em que os trabalhadores e o povo tenham instrumentos reais para decidir sobre os rumos do país. Enquanto lutamos por essa transformação, estaremos firmes na defesa das conquistas democráticas e das liberdades de nossa classe contra qualquer ofensiva reacionária.
A classe trabalhadora é a única que pode desviar o curso dessa crise.
As lutas da classe trabalhadora, da juventude e dos setores populares são essenciais para acabar com tanto descaso com a nossa classe e tanta exploração e opressão. A Caixa Econômica Federal e os Correios continuam em greve por tempo indeterminado por condições de trabalho e salário. Houve paralisação no Banco do Brasil e, nos últimos meses, greve de ferroviários de São Paulo, de metroviários de Brasília, das universidades, de dezenas de greves nos municípios, paralisações e greves em várias fábricas de diferentes regiões, assim como dos entregadores por aplicativo. É necessário unir todas elas e convocar uma mobilização nacional em defesa da soberania, dos empregos, por melhores salários e condições de trabalho, e demonstrar ao imperialismo e aos bolsonaristas, seus funcionários locais, que aqui há um povo que não vai permitir qualquer tentativa de intervenção ou ingerência.
É por isso que o governo Lula tem debilidade em defender de verdade a soberania. O PT e Lula apostam em acordos de cúpula que garantam a tão propalada conciliação de classes que defendem. Essa política é inútil para enfrentar Trump e a extrema direita. Sem enfrentar os interesses capitalistas, Lula e o PT continuarão abrindo o caminho para o crescimento do bolsonarismo e da extrema direita, como bem vemos nessas eleições, onde está colocado que Flávio vença ainda no primeiro turno.
Nós, da Revolução Socialista, corrente interna do PSOL e membros da Liga Internacional Socialista, militamos pela construção de uma ferramenta política que, com independência de governos e patrões, defenda os interesses da classe trabalhadora e dos setores populares. É necessário unir amplamente todos os setores contra qualquer ingerência imperialista ou tentativa reacionária da extrema direita, sem perder essa independência política.
Infelizmente, o PSOL, partido que ajudamos a construir, abandonou a sua independência e atua como apêndice do PT e do governo Lula. Mas, por fora do PSOL, a esquerda independente também escolhe um caminho errado, o do sectarismo e da autoproclamação, que debilita qualquer tentativa de construir uma alternativa política de esquerda anticapitalista diante das massas. Isso precisa mudar porque, enquanto não conseguirmos pôr de pé essa organização, a Frente Ampla lulista continuará criando as condições para a extrema direita se fortalecer e, assim, avançar na ofensiva reacionária que pretende impor. De nossa parte, fazemos um chamado a construir um reagrupamento de revolucionários que, para além das eleições, saiba colocar em frente um projeto de país em favor de nossos interesses, os da classe trabalhadora, da juventude e dos setores oprimidos, contra os dos capitalistas nacionais e internacionais.



.jpeg)



Comentários