Manifesto Revolução Socialista: DCE UFPR
- Comunicação RS
- 17 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Por Células de Educação & Estudantes Trabalhadores da regional Paraná.

Em todos os cantos do mundo, as juventudes erguem-se em revolta e levantes contra governos ajustadores, regimes autoritários e elites corruptas — como ocorreu no Peru, Marrocos e Nepal — e ocupam as ruas em solidariedade às lutas dos povos oprimidos. Essa mobilização se expressou em ações concretas que exigiram o fim do Holocausto Palestino. Desde a Global Sumud Flotilla, que enfrentou o bloqueio sionista para levar ajuda humanitária a Gaza e quebrar o cerco midiático, até as ocupações e acampamentos em universidades do mundo inteiro — do Brasil (onde impulsionamos mobilizações na UFPR) aos Estados Unidos e à Austrália — enfrentando repressão e criminalização, mostrando que a luta estudantil é, antes de tudo, internacional e solidária.
O movimento estudantil sempre foi linha de frente na defesa da educação pública. Conquistas históricas — cotas raciais, ampliação de vagas, restaurantes universitários a preço acessível, moradia estudantil — nasceram da organização e da força coletiva dos estudantes. Diante da crise permanente do capitalismo, do fracasso dos governos de Frente Ampla e do avanço da extrema direita, é urgente reconstituir a unidade e a capacidade de ação com a mesma combatividade das Jornadas de Junho de 2013 e do Tsunami da Educação de 2019.
Na UFPR, nossa atuação esteve à altura dos desafios. Impulsionados pelo enfrentamento às políticas neoliberais, estivemos presentes na Greve de 2024 e nas mobilizações contra a privatização das escolas públicas do Paraná, junto a docentes e técnicos. Desse contexto emergiram as gestões combativas do DCE e da atual gestão da APUFPR. Em meio à paralisação dos Restaurantes Universitários, que expôs a superexploração dos trabalhadores terceirizados e a intensa precarização das políticas de permanência, estivemos à frente do que foi mais crítico à Universidade e à comunidade acadêmica.
Como entidade que representa os estudantes da UFPR, exigimos da Reitoria ações concretas contra os cortes de bolsas impulsionados pelo Arcabouço Fiscal, lutamos pela ampliação de vagas nos vestibulares e retomamos espaços fundamentais de diálogo e deliberação por meio de assembleias e dos Conselhos de Entidades de Base. A organização conjunta do movimento estudantil combativo e de estudantes independentes impediu que a universidade fosse palanque da extrema direita e de golpistas no dia 9 de setembro. Episódio que deixou clara a urgência da desmilitarização da polícia, que tem como alvo os estudantes, em especial a juventude negra e periférica.
A educação, sob o capitalismo, virou mercadoria. Políticas de privatização e militarização aprofundam a precarização do ensino público. No Paraná, essa lógica se materializa na venda de escolas públicas e na plataformização acelerada pelo governo Ratinho Júnior; no país, a continuidade do Novo Ensino Médio, o financiamento de universidades privadas via FIES, os ataques às licenciaturas e a Reforma Administrativa corroem a formação de educadores. O governo Lula-Alckmin tem dado continuidade a políticas que atacam a classe estudantil e a educação pública — provando que não há solução dentro da conciliação com o capital.
Diante disso, a evasão universitária cresce, as políticas de permanência são desmanteladas e a juventude é empurrada para jornadas exaustivas e trabalho informal — um impacto que recai de forma ainda mais brutal sobre corpos dissidentes, submetidos a opressões estruturais e riscos cotidianos à própria vida. Frente ao colapso da educação e a um ensino médio sucateado (sem disciplinas básicas como Física, Filosofia e Sociologia), é fundamental consolidar a autonomia estudantil, rompendo amarras com governos, patrões e reitorias.
Enquanto a classe trabalhadora adoece, os serviços de saúde pública são desmantelados e políticas manicomiais são criadas. Vivemos também uma emergência climática causada pela política imperialista e extrativista do capital. O avanço do PL da Devastação, a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas e os bilhões destinados ao Plano Safra mostram que o interesse econômico prevalece sobre o futuro do planeta. Rechaçamos as falsas saídas do G20 e da COP30, que buscam maquiar o sistema que gera a destruição ambiental. A resposta deve vir da organização da classe trabalhadora e da luta por um projeto ecossocialista, capaz de enfrentar a barbárie e garantir a sobrevivência do planeta, colocando sempre a vida acima do lucro.
Nós, da Revolução Socialista, afirmamos que é hora de radicalizar o debate e retomar o horizonte de transformações reais. Lutamos pelo fim do vestibular; por moradia estudantil para todes; pela tarifa zero; pelo fim das terceirizações; pela participação efetiva da comunidade acadêmica nas decisões administrativas; pela desmilitarização das forças de repressão que atacam a juventude; pela luta antimanicomial; e pela criação de creches universitárias para garantir a permanência de mães e pessoas que gestam.
Chamamos a juventude, os trabalhadores e todas as categorias oprimidas a se somarem a essa construção. Não há saída real num sistema que vive da exploração. A saída é a revolução socialista, pela educação, pela vida e pelo futuro da humanidade.
Por uma educação pública, gratuita, laica, acessível e ecossocialista.
Por uma Palestina única, livre, democrática, laica e socialista.
Pelo fim do vestibular, das terceirizações e da precarização.
Pela juventude livre, pelo socialismo!









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