23/09: Dia de luta em defesa da Educação e Universidades Públicas!
Unidade de ação nas ruas para enfrentar as manobras da extrema direita!
Por Lucas Caron, militante da Revolução Socialista.
Escrevo para dialogar com o chamado ao dia de mobilização e paralisação nas IFES e Universidades Federais, nesta quarta-feira (23), em defesa do orçamento público para a educação e contra a extrema direita. Participam da convocação DCEs e setores do movimento estudantil, em particular o movimento Correnteza, da UP.
Da Juventude da Revolução Socialista, nos somamos ao dia em nossos locais de militância, reivindicando, mais do que nunca, a mais ampla unidade de ação nas ruas para enfrentar as manobras e os ataques da extrema direita, de Bolsonaro e de Trump, e para defender o futuro das universidades e da educação pública!

MANOBRAS DA EXTREMA DIREITA E DE TRUMP
Às vésperas do primeiro turno, as eleições combinam polarização social, crise no STF e as manobras de Bolsonaro e Trump, apoiados pela ultradireita internacional, enquanto o governo Lula busca manter o espaço da Frente Ampla nas pesquisas eleitorais. Os escândalos envolvendo o Judiciário, Banco Master, o bolsonarismo, setores da política e do próprio governo expuseram o funcionamento da República e o caráter da democracia burguesa.
Durante uma campanha eleitoral atravessada, de um lado, pela apatia gerada com as tentativas de reedição da política tradicional e, de outro, pela emergência das apostas dos setores mais reacionários e conservadores, apoiados pelo imperialismo, na ingerência sobre os direitos democráticos e no recrudescimento do regime em direções cada vez mais autoritárias e repressivas, para tentar superar a crise institucional - da qual são protagonistas.
Aproveitam-se da situação, que pode se transformar em um perigo real para a classe trabalhadora, onde as mobilizações e lutas que estão ocorrendo, enfrentam cada vez mais a atual conjuntura da luta de classes. Sem abrir mão de apresentar os projetos e candidaturas em disputa, suas fortalezas e debilidades, precisamos nos armar de política para enfrentar o perigo fascista.
Em particular na América Latina, conhecemos bem os resultados nefastos dos governos de extrema direita apoiados por Trump e Netanyahu, assim como as contradições e os limites aos quais foram submetidas as experiências de governos reformistas e progressistas que ao não radicalizarem a luta nem romperem com as estruturas que sustentam o capitalismo, acabaram sofrendo duras derrotas e habilitando o espaço para a reação e o conservadorismo.
A Frente Ampla com Lula e o PT renova a tática do voto útil contra Bolsonaro, que outrora funcionou quando não era governo. Seguimos numa situação sem definições. O bolsonarismo, mesmo com suas disputas internas e o envolvimento no caso Master, ainda encontra margem para se apresentar como uma opção real para os interesses da burguesia brasileira e imperialista, aprofundando a subserviência ao capital estrangeiro, a entrega da soberania e a e repressão, sem pudor para desmascarar o “capitalismo humano” que acompanha a gestão do neoliberalismo até hoje.
A esquerda independente, da qual reivindicamos e defendemos com nossa militância e política, também está desafiada a impulsionar seus projetos e figuras para disputar os rumos da consciência nesse momento crítico de pressões. Como também enfrentar os inimigos da classe trabalhadora sem desvios sectários e oportunistas. Ainda assim, processos e fenômenos políticos contrastam com o avanço da extrema direita em nosso país e fora, como a esquerda trotskista na Argentina de Milei, o Die Linke na Alemanha e as lutas revolucionárias na Bolívia.
Mais do que nunca, é hora de nos mobilizarmos em unidade nas ruas para enfrentar radicalmente os projetos da extrema direita internacional, dirigida por Trump e Netanyahu, que buscam consolidar sua influência sobre a América Latina com Flávio Bolsonaro. Nós, da Juventude da Revolução Socialista e da Liga Internacional Socialista no Brasil, acreditamos que o movimento estudantil em conjunto com a classe trabalhadora, precisa ser linha de frente das mobilizações e da organização para superar a crise pela esquerda, com táticas da frente única, anti-imperialismo, independência política e de classe, construindo projetos políticos durante e fora dos períodos eleitorais, com perspectiva anticapitalista, feminista, antirracista, socialista e revolucionária.
UNIVERSIDADE E EDUCAÇÃO PÚBLICA
As Instituições Federais de Ensino Superior e a educação pública são reflexos diretos dessa situação. Há inúmeras denúncias sobre a crise vivida nas instituições educacionais públicas, resultado de anos de austeridade fiscal, Teto de Gastos e Arcabouço Fiscal. A pressão da Faria Lima é enorme para o próximo governo operar um maior e novo ajuste fiscal contra o serviço público, educação, saúde, direitos e programas sociais. Sobretudo na crise civilizatória do capitalismo em que vivemos, com colapso climático, pandemias, guerras, ultra direitas e revoluções, a juventude cresce estudando e trabalhando entre a precarização e a crise da saúde mental, sem contar com o racismo, do negacionismo científico, climático e econômico.
Os ataques da extrema direita à educação pública partem de construir caricaturas de estudantes e trabalhadores que lutam e que ingressaram na universidade por meio das cotas e políticas de acesso e permanência, ainda que limitadas aos cortes e vestibulares. Atacam os direitos das mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, assim como o pensamento científico e crítico, o direito de lutar e se organizar, recorrendo aos episódios de violência e provocação que se acumulam nos campi, promovido por governos e representantes de direita e extrema direita,
Ou seja, o futuro está em disputa para além dos programas de cada candidatura. No conjunto da oposição de esquerda no movimento estudantil, precisamos exigir da UNE, dos movimentos sociais e das centrais sindicais articulação e mobilização contra os planos da extrema direita e disputar a construção de um movimento estudantil democrático e combativo, para unificar as lutas que estão acontecendo no Brasil.
Agora é hora de unidade e de aprendermos com os exemplos de estudantes do Chile, que lutam contra Kast; de estudantes da Bolívia, que se uniram aos levantes de mineiros e povos originários contra Rodrigo Paz; e de estudantes de Cuba e da Venezuela, que, de forma independente dos respectivos regimes, lutam contra a ingerência imperialista. Também precisamos olhar para estudantes de Jammu e Caxemira, que travam batalhas contra o jugo colonial; do Líbano e da Palestina, que resistem ao genocídio de Netanyahu; e para aqueles que compartilham as trincheiras das greves estudantis na Europa e na Índia. É preciso ainda estar junto de estudantes que lutam contra Espriella, na Colômbia, e aprender com as mobilizações da juventude na Argentina contra Milei. É dessa unidade internacional das lutas estudantis e da classe trabalhadora que precisamos para enfrentar os desafios colocados neste período.
Façamos recordar da greve das Federais de 2024, das lutas dos povos originários, da luta de classes durante o Fora Bolsonaro, do Tsunami da Educação de 2019, das mobilizações contra a PEC da Blindagem e o Tarifaço de Trump, especialmente neste momento eleitoral, em que os desafios da esquerda para construir um projeto político são ainda maiores, com os contornos da ausência de candidatura própria do PSOL e da fragmentação da esquerda independente.
Defendemos o reagrupamento de revolucionários no Brasil e no mundo e acreditamos que precisamos travar essa batalha também na juventude, a partir da máxima democracia estudantil, da aliança com a classe trabalhadora, com independência de reitorias, patrões e governos. Para que combinemos confiança política com a construção de ferramentas revolucionárias superadoras da crise, do reformismo e burocratismo que nos debilitam.



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