Entender o colapso, organizar a resposta
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Construir a revolução é urgente, milite com a gente!
Manifesto por Juventude da Revolução Socialista / LIS

Vivemos uma época marcada por uma profunda sensação de instabilidade. Para milhões de jovens, a promessa de que o estudo garantiria emprego, estabilidade e ascensão social simplesmente desapareceu. O diploma já não assegura trabalho digno, o aluguel consome boa parte da renda, o acesso à moradia se torna cada vez mais difícil, a precarização avança, a saúde mental é devastada pela lógica da competição permanente e o futuro parece cada vez mais incerto.
Nada disso é fruto do acaso ou de erros pontuais de governos. É a expressão de uma crise estrutural do capitalismo.
Durante décadas venderam a ideia de que o capitalismo representava o fim da história, o sistema mais eficiente possível e o único capaz de produzir prosperidade. Disseram que bastava crescer economicamente para que todos se beneficiassem. Mas a realidade desmente diariamente essa narrativa.
O mundo nunca produziu tanta riqueza. Nunca houve tamanho avanço tecnológico, científico e produtivo. Entretanto, bilhões de pessoas vivem em condições precárias enquanto uma minoria concentra um patrimônio sem precedentes. A capacidade produtiva da humanidade poderia garantir alimentação, moradia, educação, saúde, cultura e lazer para todos, mas a lógica do lucro transforma abundância em escassez e direitos em mercadorias. Essa contradição está na própria essência do capitalismo.
Toda a riqueza social é produzida pelo trabalho coletivo. Porém, ela é apropriada privadamente por grandes grupos econômicos, bancos e multinacionais. A produção deixa de responder às necessidades humanas e passa a obedecer exclusivamente à acumulação de lucros. Quando os interesses da maioria entram em choque com os interesses do capital, é a maioria que paga a conta.
É por isso que, em meio a crises econômicas, vemos cortes em direitos sociais, privatizações, ataques à educação pública, redução de investimentos em ciência, destruição ambiental e flexibilização das leis trabalhistas. O sistema procura preservar a rentabilidade das grandes empresas transferindo seus custos para trabalhadores e juventude.
Ao mesmo tempo, a competição entre grandes potências se intensifica. A disputa por mercados, recursos naturais e influência geopolítica alimenta guerras, ocupações militares e conflitos internacionais que sacrificam milhões de vidas. A indústria bélica se fortalece enquanto serviços públicos são desmontados.
Também a crise ecológica expressa esse limite histórico. O aquecimento global, os eventos climáticos extremos, o desmatamento acelerado, a contaminação dos rios e oceanos e a destruição da biodiversidade não decorrem simplesmente da ação individual das pessoas, mas de um modelo econômico baseado na exploração ilimitada da natureza para garantir lucros privados.
Para a juventude, todas essas contradições aparecem de maneira particularmente cruel.
Somos a geração que enfrenta empregos cada vez mais instáveis, jornadas fragmentadas por aplicativos, salários insuficientes, dificuldade para acessar pesquisa científica, bolsas de permanência reduzidas, universidades sucateadas e perspectivas de vida piores do que as gerações anteriores.
Ao mesmo tempo, cresce uma cultura de individualismo extremo, competição permanente e responsabilização pessoal pelos problemas sociais. Em vez de reconhecer que existe uma crise sistêmica, procuram convencer cada jovem de que o fracasso é exclusivamente culpa sua.
Mas nossa geração também vive outra realidade.
Em todos os continentes vemos mobilizações contra guerras, contra genocídios, contra o racismo, contra a violência policial, contra o machismo, a LGBTIfobia, a destruição ambiental e os ataques aos direitos democráticos. Milhões de jovens continuam ocupando ruas, escolas e universidades porque percebem que a ordem vigente não oferece respostas.
Essas lutas são fundamentais. Porém, isoladamente, encontram limites impostos pela própria estrutura do capitalismo. Não basta combater uma ou outra consequência do sistema. É preciso enfrentar suas causas profundas.
Por isso defendemos uma perspectiva socialista revolucionária.
Para nós, o socialismo não significa apenas maior presença do Estado na economia nem reformas graduais administradas por governos de turno. Tampouco corresponde aos regimes burocráticos que traíram as revoluções do século XX e substituíram a participação democrática dos trabalhadores por ditaduras sobre eles.
Falamos de uma transformação radical da sociedade, baseada no poder democrático dos trabalhadores e do povo explorado, na socialização dos grandes meios de produção e no planejamento econômico voltado às necessidades sociais e ambientais.
Isso significa colocar a imensa riqueza produzida coletivamente a serviço da humanidade, e não da acumulação privada.
Significa garantir emprego digno, redução da jornada de trabalho sem redução salarial, acesso universal à educação pública, saúde, cultura, moradia e transporte, além da proteção efetiva do meio ambiente e do desenvolvimento científico orientado pelo interesse social.
Também significa combater todas as formas de opressão.
O capitalismo não apenas explora economicamente a classe trabalhadora; ele utiliza e reproduz sistemas de opressão que aprofundam desigualdades e ampliam seus mecanismos de dominação. O racismo estrutural, o patriarcado, a LGBTIfobia, a xenofobia e diversas formas de discriminação cumprem papel funcional na manutenção dessa ordem.
Por isso defendemos um feminismo socialista e anticapitalista, a luta antirracista, os direitos plenos da população LGBTQIA+, o ecossocialismo, a autodeterminação dos povos oprimidos e a solidariedade internacional entre trabalhadores e juventudes de todos os países.
Nossa perspectiva é internacionalista porque o próprio capitalismo atua globalmente. Nenhuma transformação profunda poderá ser consolidada isoladamente. A construção de uma alternativa socialista exige articulação internacional das lutas e fortalecimento de organizações revolucionárias capazes de aprender coletivamente com experiências de diferentes países.
Também afirmamos a independência política da classe trabalhadora. Não acreditamos que alianças permanentes com setores da burguesia ou projetos de conciliação sejam capazes de superar os problemas estruturais do capitalismo. Reformas pontuais podem representar conquistas importantes quando arrancadas pela mobilização popular, mas permanecem frágeis enquanto o poder econômico continuar concentrado nas mãos das grandes classes proprietárias.
Da mesma forma, rejeitamos a falsa saída apresentada pela extrema direita. Ela procura canalizar a indignação social contra imigrantes, mulheres, pessoas negras, movimentos sociais, universidades e minorias, desviando o foco dos verdadeiros responsáveis pela desigualdade: o próprio sistema capitalista e suas elites econômicas. Em vez de enfrentar os bilionários, busca dividir os explorados.
Nossa resposta é exatamente a oposta.
Queremos unidade da juventude e da classe trabalhadora para enfrentar os grandes grupos econômicos, defender direitos democráticos e construir uma sociedade baseada na igualdade e na emancipação humana.
Nesse processo, a universidade ocupa papel estratégico.
Ela é espaço de produção científica, formação intelectual e disputa política. O ataque permanente às universidades públicas não decorre apenas de questões orçamentárias. Também expressa o interesse das classes dominantes em limitar o pensamento crítico e subordinar o conhecimento às necessidades imediatas do mercado.
Defendemos uma universidade pública, gratuita, laica, democrática, socialmente referenciada e vinculada às necessidades do povo trabalhador.
Mas sabemos que nenhuma instituição, isoladamente, transformará a sociedade.
É necessário organizar uma juventude militante.
Militar não significa apenas participar de reuniões ou carregar bandeiras. Significa estudar criticamente a realidade, construir coletivos de base, fortalecer centros acadêmicos combativos, impulsionar mobilizações, organizar campanhas de solidariedade, produzir formação política, dialogar com trabalhadores e disputar os rumos do movimento estudantil.
Significa transformar indignação em organização. Ao longo da história, nenhuma grande conquista social surgiu espontaneamente. Direitos trabalhistas, sufrágio universal, liberdade sindical, educação pública e tantas outras vitórias foram resultado de processos intensos de luta coletiva.
O mesmo vale para a transformação socialista. Ela não ocorrerá automaticamente porque o capitalismo entrou em crise. Crises podem abrir espaço tanto para processos revolucionários quanto para alternativas autoritárias e reacionárias. O resultado depende da capacidade de organização política das classes exploradas.
É exatamente por isso que construir organizações revolucionárias continua sendo uma tarefa decisiva.
A Revolução Socialista e a Liga Internacional Socialista defendem a construção de um partido revolucionário enraizado nas lutas concretas da classe trabalhadora e da juventude, comprometido com o internacionalismo, com a democracia operária e com uma estratégia de ruptura revolucionária com o capitalismo.
Não oferecemos atalhos nem promessas fáceis.
Sabemos que enfrentar um sistema mundial consolidado exige paciência estratégica, formação política, inserção social e construção coletiva. Mas também sabemos que nenhuma mudança histórica relevante aconteceu sem pessoas dispostas a organizar-se para fazê-la acontecer.
A pergunta decisiva do nosso tempo não é se o capitalismo conseguirá resolver suas próprias contradições. As evidências mostram diariamente que ele aprofunda desigualdades, guerras, destruição ambiental e formas cada vez mais sofisticadas de exploração.
A verdadeira pergunta é se nossa geração estará à altura da tarefa histórica de construir uma alternativa. Cada greve, cada ocupação estudantil, cada mobilização popular, cada campanha de solidariedade e cada núcleo militante podem contribuir para formar a força social capaz de transformar radicalmente o mundo.
Não existe neutralidade diante da barbárie. Aceitar passivamente a lógica do lucro significa permitir que poucos continuem decidindo o destino da maioria. Organizar-se para enfrentar essa lógica significa apostar que outro futuro é possível.
Nós escolhemos lutar e construir a revolução.
Se você também acredita que a humanidade merece mais do que exploração, guerras, opressão e destruição ambiental; se acredita que riqueza, ciência e tecnologia devem servir às necessidades coletivas e não ao lucro privado; se acredita que a juventude pode ser protagonista das grandes transformações históricas, há um lugar para construir essa luta.
Entender o colapso é apenas o primeiro passo.
Organizar a resposta é a tarefa do presente.
Construir a revolução é urgente.
Milita com a gente.



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