Argentina | Nasce La Zurda: uma nova geração para mudar tudo
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Por Juventude da Revolução Socialista
Somos filhas e filhos da crise financeira de 2008, da pandemia, das guerras, dos ecocídios, do genocídio do povo palestino, da precarização do trabalho e do avanço da extrema direita. Crescemos ouvindo que viveríamos pior que nossos pais, que deveríamos aceitar empregos sem direitos, universidades sucateadas, aluguel impossível, violência machista, racismo e crise da saúde mental como modo de vida num planeta em colapso. Mas também somos a geração que se recusa a aceitar esse destino.

Foi com esse espírito que, nos dias 25 e 26 de julho, 200 delegados e delegadas de mais de 20 províncias — representando estudantes universitários, secundaristas, de institutos estudantis de toda Argentina — se reuniram no 1º Congresso Nacional para lançar La Zurda, nova organização impulsionada pelo MST da Argentina, integrante da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores – Unidade (FIT-U) e da Liga Internacional Socialista (LIS). O congresso contou ainda com a participação de delegações internacionais da LIS, que reforçaram o caráter internacionalista.
Ao longo dos dias, discutiu-se a situação das juventudes, a realidade vivida nas universidades e escolas e, principalmente, como se organizar para enfrentá-la: construir, com milhares de estudantes e jovens, uma alternativa política que, pela esquerda, dispute o governo e o poder no país. Além disso, construir um Grande Acampamento Nacional nos dias 5, 6 e 7 de dezembro, na Argentina, do qual queremos convidar nossa militância brasileira a participar fervorosamente.
Nós, da Juventude da Revolução Socialista - LIS, participamos como organização irmã para fortalecer nossa campanha Entender o Colapso, Organizar a Resposta e construir a experiência própria da juventude no Brasil. Saímos do congresso convencidos de que o nascimento de La Zurda representa muito mais do que uma nova organização estudantil para a Argentina: representa a existência de uma geração disposta a lutar por uma saída revolucionária. Some-se a nossa militância no Brasil e no mundo!
Quando a extrema direita se desgasta, a esquerda precisa crescer
O governo ultradireitista de Javier Milei aprofunda a destruição das condições de vida do povo argentino. Ataques às universidades, aos salários, às aposentadorias, aos direitos democráticos, ao meio ambiente e às organizações populares fazem parte de um projeto para que o ajuste seja pago pela classe trabalhadora. A pobreza, a precarização laboral e a falta de perspectivas fazem parte do cotidiano de uma geração inteira — e a esse quadro se soma o enfrentamento aberto do governo à educação pública, tanto no plano orçamentário quanto no ideológico e político.
Ao mesmo tempo, o peronismo se afunda na sua falência política. Depois de governar aplicando ajustes e administrando os interesses do grande capital e do FMI, além de votar junto ao governo Milei ataques contra a classe trabalhadora, já não consegue aparecer como alternativa para uma juventude que exige respostas para o presente.
É justamente nessa contradição que surge uma enorme responsabilidade para a esquerda revolucionária. A simpatia conquistada pela FIT-U entre amplos setores da juventude e da classe trabalhadora demonstra que existe espaço para quem nunca governou, tomar o poder: trabalhadoras, trabalhadores e a esquerda. Mas a simpatia, por si só, não muda a história. É preciso organização, unidade, programa e militância.
É para responder a esse desafio que toma forma La Zurda: independente de governos, internacionalista, anticapitalista, feminista, ecossocialista, antirracista, antifascista, antirrepressiva e democrática — porque os problemas da juventude não terminam nas salas de aula: a precarização, a falta de moradia, a crise ambiental, a violência, a discriminação, a crise de saúde mental e o ajuste fazem parte de uma mesma realidade.
Organizar quem não se permitiu resignar e por uma educação livre dos interesses capitalistas
Um dos eixos centrais debatidos no congresso foi o avanço das contra reformas educativas impulsionadas pelo governo Milei nos colégios, institutos e universidades. Projetos que transformam a educação numa ferramenta de formar mão de obra barata, técnicos e quadros ao mercado, esvaziada de pensamento crítico.
La Zurda nasce como uma corrente nacional de coletivos universitários e de estudantes do ensino médio, impulsionada por estudantes independentes e militantes do MST na FIT-U. Para defender uma educação pública, gratuita, científica, crítica e democrática, a serviço das necessidades sociais — e não das empresas nem do FMI. Não nasce pronta nem se pretende uma organização acabada. Constitui-se para reunir quem nunca militou, quem se decepcionou ou rompeu com antigas experiências e quem se recusou a aceitar que o único horizonte para a juventude seja sobreviver em meio às crises do capitalismo.
É um instrumento para disputar política e ideologicamente, organizar quem esteve nas marchas em defesa da universidade pública, nas mobilizações antifascistas, quem luta por orçamento para a educação, quem levanta a bandeira de uma Palestina livre do rio ao mar, quem enfrenta o racismo, o machismo, a LGBTfobia e a destruição ambiental, e quem acredita que os centros e entidades estudantis devem ser espaços de luta, democracia e organização de toda a base estudantil.
Também dialoga com uma geração atravessada pela crise da saúde mental, que sabe que ansiedade, depressão e desesperança não são problemas individuais, mas expressão de um sistema que precariza o presente, transforma o futuro em mercadoria e a vida em competição permanente.
A juventude está cansada de esperar
Um dos principais debates do congresso foi justamente compreender quem somos nós, jovens do século XXI. Tentam nos convencer de que somos uma geração individualista, apática, conservadora, ou que nossa revolta se tornou de direita. A verdade é outra.
Da resistência palestina às ocupações universitárias nos EUA; das mobilizações contra Milei às rebeliões da Geração Z no Quênia, Bangladesh e Nepal que enfrentaram governos corruptos e autoritários; das greves climáticas às lutas feministas; das greves estudantis no Brasil às mobilizações na Caxemira, a juventude tem ocupado a linha de frente dos principais enfrentamentos políticos do período.
Somos a geração das crises, mas também das revoluções. Não estamos despolitizados: existe uma enorme força, mas as direções do movimento estudantil estão, em grande parte, nas mãos de quem prefere desmobilizar e negociar com governos e autoridades, além de substituir a participação da base pela conciliação. É por isso que La Zurda nasce com objetivos concretos: recuperar e revolucionar os centros e federações estudantis em todo o país, construindo uma direção independente de governos, reitores, diretores e patrões, absolutamente democrática, que dê protagonismo à voz dos estudantes e impulsione a luta por suas demandas.
Também teve peso no congresso a participação de estudantes secundaristas, que expressaram a disposição de uma geração que, praticamente durante toda sua vida consciente, foi governada pela ultradireita e assiste à crise do peronismo em sua máxima expressão.
Internacionalismo para mudar o mundo
Outro tema que ganhou peso foi o internacionalismo. Não existe saída nacional para uma crise produzida por um sistema mundial. A ofensiva imperialista, o genocídio em Gaza, a disputa entre potências, o avanço da extrema direita, a crise climática e a crise dos progressismos exigem uma resposta organizada para além das fronteiras.
Por isso, La Zurda nasce integrada à construção da Liga Internacional Socialista, fortalecendo campanhas internacionais em defesa do povo palestino e em solidariedade à rebelião na Caxemira, contra a repressão movida contra suas principais lideranças, que já soma mais de 100 mortos.
Também foram debatidos temas decisivos para a geração, como o impacto das redes sociais e da inteligência artificial, a necessidade de um programa ecossocialista diante do colapso climático, e a defesa intransigente dos direitos das mulheres, das pessoas LGBTQIAPN+, dos povos originários, dos migrantes e de todos os setores oprimidos. Consignas como “As Malvinas são Argentinas” também expressaram o sentimento anti-imperialista por soberania nacional, contra o saque exploratório das terras argentinas perpetuado por Milei e em rechaço a campanha anti Argentina nas redes sociais das últimas semanas.
Venha militar com a Juventude da Revolução Socialista
Voltamos com mais do que lembranças de um congresso. Trouxemos a certeza de que milhares de jovens, em diferentes países, procuram uma ferramenta para politizar e lutar. Por isso, no Brasil construímos a Liga Internacional Socialista e a Revolução Socialista, desenvolvendo nossa campanha Entender o Colapso, Organizar a Resposta e te convidamos a construir e militar juntos!
A experiência de La Zurda mostra que existe espaço para construir organizações democráticas, combativas e revolucionárias, que não se limitem a disputar eleições, negociar direitos ou administrar crises, mas que preparem uma geração para disputar o poder, construir a revolução e o socialismo.
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Transformar a luta em revolução.
Tomemos o presente, construamos o futuro!



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