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Campanha do segundo turno é um chamado à luta

há 11 minutos
3 min de leitura
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Carlos Lopes


Há momentos em que a desesperança toma conta da gente. Em que parece que a vida não tem jeito e que não há como mudar o rumo das coisas. O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que deixou Lula em segundo lugar, mesmo sendo o atual presidente e disputando a reeleição, provocou esse baque nas primeiras horas.


Como poderia um presidente há quatro anos no poder (com todas as suas insuficiências programáticas) ficar atrás de um filho de capitão preso por tentativa de golpe de Estado? Como o campo progressista poderia sair em desvantagem diante de uma campanha que reivindicava o pior dos anos que vivemos entre 2019 e 2022? Fila de ossos, 700 mil mortes na Covid-19, bloqueio de R$ 3,23 bilhões no orçamento da educação... Mas esse temor de ver tudo aquilo voltar, em vez de nos paralisar, serviu — e continua servindo — de chamado à luta.


Esse chamado, vale lembrar, não deve se restringir às eleições. A Revolução Socialista foi parte da batalha para que tivéssemos uma candidatura unificada da esquerda independente no primeiro turno das eleições. Essa reivindicação, como sabemos, não se concretizou. Frente à crise do capitalismo e às insuficiências do governo Lula 3, que não conseguiu conter o avanço do bolsonarismo, chamamos voto em qualquer uma das três candidaturas socialistas independentes naquela etapa da disputa — fosse em Hertz (PSTU), Samara (UP) ou Edmilson (PCB).

Diante desse novo momento da disputa, aberto pelo resultado de 4 de outubro, não titubeamos: nosso voto agora é em Lula 13. Não porque confiamos que Lula vá governar inteiramente para a classe trabalhadora — fosse esse o caso, já teria revogado as reformas trabalhista e da Previdência, impulsionado com firmeza a luta pelo fim da escala 6x1 (sem depender da agenda do Congresso), rompido com o Arcabouço Fiscal e revogado o Marco Temporal, entre outras medidas que não adotou e não deve adotar diante dos limites de sua política de conciliação de classes.

Mas nada disso significa igualar o que vivemos de 2023 para cá ao período em que Bolsonaro pai esteve no governo. Durante os quatro anos de Bolsonaro, o número de registros de CACs saltou de 117 mil para quase 674 mil, em meio a uma política de flexibilização do acesso a armas. Em 2021, o desemprego médio chegou a 13,2%, quase o dobro dos 6,9% registrados em 2014, último ano completo antes da recessão que elevou fortemente a desocupação no país, segundo o IBGE. Nas áreas protegidas, o desmatamento aumentou 94%, segundo levantamento do Instituto Socioambiental.

Esses dados expressam um projeto que, para além das diferenças na condução da economia, também promoveu retrocessos na proteção dos povos originários e ampliou a circulação legal de armas.


O governo Lula 3 não rompeu com os interesses do capital e segue impondo limites à classe trabalhadora. Por isso, é fundamental construir uma organização independente,

com mobilização e luta. Mas não podemos apagar as diferenças entre os projetos em disputa: a crítica ao governo atual não pode nos levar a subestimar as consequências de um eventual retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto.


É nesse cenário que a esperança tem voltado a ecoar nas ruas, em vez de dar lugar ao medo. Em Natal, neste sábado (10), pude ver mais de 100 mil pessoas ocupando as ruas do Alecrim, região do maior comércio da capital potiguar, durante a passeata com Lula — o número de presentes, vale ressaltar, foi fornecido pela própria organização da campanha. No primeiro turno, quando também esteve em Natal, um ato com Lula na Arena das Dunas registrou a presença de 20 mil pessoas.


Além dos atos ligados diretamente à agenda eleitoral, manifestações espontâneas também têm mobilizado pessoas em Natal e em inúmeras outras cidades do país. Esse movimento expressa não apenas a rejeição à extrema-direita, mas também a disposição de ocupar as ruas e lutar para impedir retrocessos.


A Revolução Socialista tem participado dessas manifestações levando nosso programa e defendendo a necessidade de construir uma alternativa independente dos capitalistas, dos banqueiros e dos governos. Uma alternativa socialista, que supere a política de conciliação de classes e a ideia de que a participação política se resume ao ato formal de votar a cada quatro anos. Os atos massivos têm demonstrado que milhares de pessoas — homens, mulheres, LGBTs, negras e negros, indígenas e trabalhadores — não aceitam perder suas (nossas!) conquistas. Por isso, esse texto é um chamado: entenda o colapso, organize a resposta e conheça a Revolução Socialista!

 

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