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Boulos e a liquidação da independência do PSOL numa possível federação com o PT

  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

Por Direção Nacional de Revolução Socialista – LIS


A possibilidade de o PSOL ingressar em uma federação com o PT - atualmente federado com o PCdoB e o PV - representa um giro estratégico de enorme gravidade. Não se trata de um acordo tático-eleitoral circunstancial, senão de uma decisão que pode comprometer a própria razão de existência do partido.

O PSOL nasceu como alternativa de esquerda à adaptação do PT ao regime político brasileiro e à sua política de conciliação com setores da burguesia.

Foi construído como instrumento independente dos trabalhadores, com um programa anticapitalista e socialista, em oposição às alianças com partidos patronais e à lógica da governabilidade subordinada aos interesses do capital.


Ingressar em uma federação com o PT significaria subordinar o PSOL a um projeto político hegemonizado por uma estratégia de colaboração de classes e de administração do capitalismo brasileiro. Uma federação não é uma coligação pontual: impõe atuação comum por quatro anos, unifica o funcionamento parlamentar, condiciona candidaturas e restringe profundamente a autonomia partidária nos estados e municípios.



Na prática, isso pode significar abrir mão da liberdade de apresentar candidaturas próprias nos níveis federal, estadual e municipal. Pode significar ter que compor palanques e alianças com partidos burgueses que hoje integram ou sustentam a base governista, como o MDB, o PSD ou o União Brasil, assumindo compromissos incompatíveis com um programa anticapitalista. Implica, sobretudo, fazer a reforma administrativa que está sendo implantada no Estado do Pará, por exemplo, onde o MDB, que Lula sinalizou como possível vice, destruiu o estatuto do servidor de Belém, cortou direitos adquiridos e está privatizando todo o atendimento de saúde, com ataques aos servidores, privatizações e um modelo de desenvolvimento baseado na exploração ambiental - incluindo a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins na Amazônia da COP30 e outros projetos na foz do Amazonas.


No Rio de Janeiro, por exemplo, o PT é aliado a Eduardo Paes, com alianças amplas com setores empresariais e conservadores. Uma federação poderia obrigar o PSOL a integrar ou sustentar arranjos desse tipo em diferentes estados e municípios, subordinando sua atuação a acordos que expressam a lógica da conciliação de classes.


Um partido que se reivindica anticapitalista não pode se amarrar estruturalmente a um projeto burguês.

A independência política não é um detalhe organizativo: é condição estratégica para que a classe trabalhadora tenha suas próprias ferramentas de luta e não seja permanentemente subordinada a projetos de conciliação.


Esse caminho já começou a ser trilhado por Guilherme Boulos ao ingressar no governo federal e assumir responsabilidades dentro da estrutura governista. Agora, a proposta de federação busca institucionalizar esse movimento, arrastando todo o partido para a mesma estratégia de adaptação e fazendo do PSOL um apêndice orgânico do projeto petista.


Em defesa do PSOL anticapitalista e independente


A extrema direita deve ser combatida com firmeza, nas ruas e nas urnas. Mas essa luta não pode servir de justificativa para dissolver o PSOL em um arranjo que compromete sua estratégia. A experiência recente demonstra que a conciliação de classes não derrota estruturalmente o bolsonarismo; ao contrário, preserva as condições sociais que alimentam a frustração explorada pela extrema direita.


Ao defender a federação, o bloco majoritário do partido coloca em risco não apenas a independência política do PSOL, mas também sua própria autonomia eleitoral. A federação pode significar o fim da liberdade de definir candidaturas próprias e estratégias estaduais durante todo o período de sua vigência.


A Revolução Socialista é frontalmente contrária a essa federação. De imediato, convocamos e estaremos em unidade com todas as correntes internas que estejam na mesma trincheira contra a federação. Ao mesmo tempo, chamamos a esquerda do PSOL, a militância combativa, a juventude e os lutadores e lutadoras sociais a cerrar fileiras em defesa da independência política, do programa socialista e de uma estratégia anticapitalista consequente. É preciso lutar para que o PSOL volte a ser uma ferramenta de organização e combate da classe trabalhadora, e não força auxiliar do projeto de conciliação.

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