O Dilema da Crise Venezuelana e a Tarefa dos Revolucionários
- Comunicação RS
- há 1 dia
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Por João Pedro dos Santos e Rafael Pereira, da Revolução Socialista, Regional Paraná.
A crise que emergiu com o avanço norte-americano sobre a Venezuela é marcada por três aspectos fundamentais: a queda de um regime enfraquecido que se segurou no poder durante quase 30 anos, o intervencionismo de Trump e da burguesia dos EUA, e a pressão que recai sobre a América Latina. Estes são os elementos essenciais para a compreensão do cenário atual.

Diante disso, um dilema é colocado para todas as organizações revolucionárias no mundo: como responder a essa crise? A resposta deve sempre considerar o papel de somar à luta de classes e de fortalecer a saída pela superação do capitalismo e da democracia burguesa.
A Trajetória e Degeneração do Regime Chavista
A Venezuela viveu por muitos anos sob o regime Chavista, que surgiu da necessidade de acabar com a influência imperialista. Naquela época, o petróleo venezuelano era surrupiado pela burguesia internacional, enquanto a população vivia em situação de fome e falta de renda. A indignação popular, que culminou no Caracaço em 1989, foi canalizada por Chávez, líder oriundo das Forças Armadas.
Em meio à ebulição social do final dos anos 80 e 90, os movimentos da classe trabalhadora pressionaram os governos fantoches dirigidos pelas forças imperialistas, sobretudo dos EUA. Chávez emergiu como uma solução, tentou um golpe inicial, mas dobrou-se à democracia burguesa e elegeu-se presidente em 1998.
O tempo passou e as crises se aprofundaram. O sentimento nacionalista não foi suficiente, e a ineficiência política do regime levou a uma degeneração inevitável. A tentativa de manter o poder e a perseguição ferrenha a opositores descolou o PSUV (partido chavista) da classe trabalhadora, tornando-o um partido burocrático e ditatorial que não permitia a disputa de rumos da luta de classe.
Os embargos agravaram as crises, gerando uma onda migratória de milhões de venezuelanos que fugiam do empobrecimento em massa. O partido burocratizado, por sua vez, concentrava poder estatal em uma casta militar. A morte de Chávez e a entrada de Maduro representaram o último suspiro de um regime enfraquecido, cuja permanência no poder é marcada por eleições polêmicas e acusações de fraude.
A Ofensiva do Imperialismo Norte-Americano e a Desestabilização da América Latina
Nos EUA, a eleição de Trump (em seu segundo mandato) é a resposta de uma burguesia que perde espaço para a dominação chinesa. O apoio a Trump visa retomar o fortalecimento estadunidense, especialmente na América Latina. Trump tem se dedicado à política imperialista de dominação da classe trabalhadora na periferia do capital, usando como referência a Doutrina Monroe e a política do Big Stick, sendo a Venezuela o exemplo mais recente.
Trump ameaça diretamente México e Colômbia e consegue arrastar para sua política a Argentina e o Chile. Isso ocorre, em grande parte, devido à política reformista de partidos que ainda acreditam na conciliação com a burguesia nacional e internacional. O fracasso de Boric e do Peronismo reforça a falta de representação da classe trabalhadora nas instituições da democracia burguesa.
A desestabilização da América Latina, promovida pelos interesses burgueses nos EUA, já colhe resultados: a extrema-direita venceu as últimas eleições no Chile; Milei, na Argentina, ganhou sobrevida com a injeção de dólares e o endividamento do país. No Brasil, a política conciliatória de Lula (PT) busca acalmar os ânimos de Trump e garantir os lucros de magnatas. México e Colômbia têm se posicionado de forma mais contundente - inclusive com uma marcha maciça na Colômbia em defesa da soberania. No entanto, sem uma política de superação do capitalismo, toda essa resistência pode sucumbir à desestabilização.
A Solução Revolucionária: Fora Imperialismo, Nem Maduro e Nem Trump
Regido pelo interesse da burguesia dos EUA, Trump causa um impacto gigantesco nas Américas, desgastando governos junto à classe trabalhadora, esmagada pela necessidade de lucro do grande capital. No Brasil, as eleições estão condicionadas ao desgaste e aos acordos que os burgueses imperialistas impõem ao governo Lula, uma chantagem para garantir ganhos em detrimento do bem-estar da população brasileira. A tendência é que Lula procure agradar ao imperialismo norte-americano, cedendo às vontades de Trump.
Repudiamos totalmente qualquer tipo de intervenção imperialista contra a classe trabalhadora em qualquer país do mundo. Na Venezuela, nossa posição não é diferente: nos colocamos lado a lado na luta dos trabalhadores, sem posição "campista" em favor de um governo autoritário e decadente como o de Nicolás Maduro.
A única solução é a luta da classe trabalhadora organizada nas ruas, puxada por direções que visam o fim do sistema capitalista. Buscar eleições democráticas burguesas ou negociar com o imperialismo são medidas paliativas que entregarão os trabalhadores aos interesses da burguesia internacional.
Os revolucionários de toda a América Latina precisam se conectar com a classe trabalhadora e mobilizá-la por pautas de superação da exploração desmedida. Não se pode errar defendendo regimes com discurso mais brando. Somente um processo revolucionário é capaz de frear os interesses burgueses de dominação. É preciso reagrupar os revolucionários, trabalhar em frentes únicas, ter unidades políticas e construir boas unidades de ação para incidir na classe trabalhadora que já não confia mais nos avanços dentro do Capitalismo.









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