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Venezuela atacada pelo imperialismo: quem decidiu por cima do povo?

  • 12 de jan.
  • 4 min de leitura

Por Célula Metroviária de São Paulo.


Os acontecimentos recentes na Venezuela configuram, sem margem para ambiguidade, um ataque imperialista direto e brutal à soberania nacional. A incursão conduzida pelos Estados Unidos, que resultou no sequestro de Nicolás Maduro e na imposição de um governo interino, é uma intervenção externa ilegítima, criminosa e inaceitável, típica da longa tradição de agressões do imperialismo estadunidense contra os povos da América Latina.



Não há qualquer justificativa possível para essa ação. Nem o discurso de “defesa da democracia”, nem acusações seletivas de corrupção ou narcotráfico, nem a retórica da “estabilidade regional” podem encobrir o fato central: trata-se de uma violação aberta do direito à autodeterminação dos povos, de um ato de força que busca impor, pela tutela e pela coerção, uma reorganização política subordinada aos interesses estratégicos de Washington.


Ao mesmo tempo, é necessário afirmar: não apoiamos o regime nem o governo de Nicolás Maduro. Ele é responsável da atual desmobilização e falta de resposta popular fundamental para tentar derrotar a ofensiva imperialista atual. A denúncia do ataque de Trump não pode servir de álibi para silenciar críticas ao caráter autoritário, burocrático e repressivo do governo venezuelano, nem aos ataques sistemáticos às liberdades democráticas, aos direitos dos trabalhadores e ao protagonismo popular. Ataques que continuam e se reforçam na situação atual. Rejeitamos tanto a intervenção imperialista quanto qualquer tentativa de apresentar o antigo governo como alternativa emancipatória para o povo.


O princípio que orienta nossa posição é inequívoco: o futuro da Venezuela só pode ser decidido pelo próprio povo venezuelano, com a classe trabalhadora, a juventude e os setores populares nas ruas, em mobilização independente, exercendo plenamente seu direito de organização, luta e decisão. Nenhuma saída imposta de fora, nenhum governo tutelado, nenhum pacto por cima pode substituir a soberania popular.

Dito isso, há elementos que exigem reflexão crítica e vigilância política permanente. A ausência de reação militar significativa, o silêncio das Forças Armadas, a rapidez da operação e o reposicionamento súbito da diplomacia norte-americana levantam questões graves que não podem ser ignoradas. Esses fatos alimentam a hipótese de acordos silenciosos, pactos institucionais ou rearranjos negociados por cima, mas tais hipóteses permanecem em aberto, exigindo investigação, debate político sério e total independência de análise. Como afirmam nossos camaradas de Marea Socialista, seção venezuelana da LIS na sua declaração do dia 8 de janeiro: O que houve foi um golpe militar externo do imperialismo, mas que indiscutivelmente contou com cumplicidade interna ou se apoiou em negociações e compromissos efetuados nos bastidores. Isso, e não apenas a enorme superioridade tecnológica militar norte-americana, acompanhada do trabalho de seus serviços de inteligência, é o que permite explicar que a defesa antiaérea e outros meios para repelir os gringos não tenham funcionado ou não tenham sido ativados. A FANB venezuelana, porém, ainda não deu explicações sobre o que ocorreu, e apenas se conhece a versão de Trump. Há fortes indícios de uma traição ou de um negociado, com seus sacrifícios, concessões e condições.


Independentemente dessas conjecturas, o aspecto mais grave é o apagamento deliberado do povo venezuelano como sujeito político. Mais uma vez, o destino de um país é tratado como mercadoria de negociação entre elites locais, cúpulas militares e potências estrangeiras, enquanto trabalhadoras e trabalhadores são mantidos à margem, sem voz e sem decisão.


Diante desse cenário, nossa posição é firme e inegociável:

  • Rechaço total à intervenção imperialista,

  • Defesa intransigente da autodeterminação do povo venezuelano, com protagonismo da classe trabalhadora organizada;

  • Nenhuma legitimação de governos tutelados ou transições impostas,

  • Nenhum apoio ao governo Maduro e à burocracia autoritária que ataca a classe trabalhadora venezuelana.


O restante — os silêncios, as contradições e os possíveis acordos — permanece como campo de disputa política, que exige atenção constante, crítica radical e elaboração coletiva das forças comprometidas com a emancipação dos povos.

O Ministério da Defesa do governo venezuelano precisa explicar o porque dessa suposta falha na identificação do exército invasor ianque e as mortes de militares e civis noticiadas pela imprensa.

E precisamos mobilizar internacionalmente a militância revolucionária para atuar em unidade de ação contra o imperialismo e em defesa da soberania do povo venezuelano.

E exigir dos governos, mundialmente, nós particularmente desde o Brasil ao governo Lula, que rompam todas as relações diplomáticas e econômicas com os EUA e fechem as embaixadas. Prisão para Donald Trump pelos crimes de guerra.


Consignas políticas e eixos de mobilização

Contra a intervenção imperialista


  • Fora o imperialismo da Venezuela e da América Latina!

  • Nenhum governo imposto ou tutelado por Washington!

  • Soberania não se negocia: se defende com mobilização popular!

  • O petróleo e as riquezas naturais devem servir ao povo venezuelano, não ao imperialismo nem às elites burocráticas!

  • Que as Forças Armadas Nacional Bolivariana informem porque os planos de defesa não funcionaram diante da invasão estadunidense!

  • Fazer um chamado continental por uma greve geral exigindo que Trump tire suas patas da América Latina e de qualquer outro lugar no mundo.


Nem Maduro, nem Trump: o povo decide

Nenhum apoio ao regime autoritário e repressivo de Maduro!


  • Fim imediato da repressão, das perseguições e das prisões políticas!

  • Liberdades democráticas plenas para organização, manifestação e luta popular!

  • Aumento salarial já de acordo com o artigo 91 da Constituição Venezuelana para recuperar o nível de vida do povo e enfrentar a emergência!


O caminho é a luta popular e da classe trabalhadora


  • O futuro da Venezuela deve ser decidido pelo povo nas ruas!

  • Protagonismo da classe trabalhadora, com independência política!

  • Nenhuma saída por cima, nenhum pacto sem o povo!

  • Solidariedade internacionalista ao povo venezuelano, não a governos nem a acordos de cúpula!

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