Os dias decisivos para reeleger Lula Presidente

Por Alessandro Fernandes – Direção Nacional da Revolução Socialista/PSOL
Até o dia 25 de outubro teremos dias decisivos para reeleger Lula Presidente e frustrar os planos da família Bolsonaro. Não serão dias fáceis. Apesar de o resultado ainda ser uma incógnita, para o nosso lado ou para o outro, os dias após o término do primeiro turno oxigenaram milhares de pessoas nas ruas para virar o jogo a favor de Lula 13. É possível vencer.
Das principais capitais às médias e pequenas cidades, as campanhas de casa em casa — virando voto ou convencendo a não se abster ou anular —, nos diferentes bairros, e as manifestações massivas nas ruas, com pouco ou mesmo sem material impresso, abriram uma possibilidade real de enterrar parte dos planos do neofascismo bolsonarista de dominação dos três poderes.
A “onda vermelha” nas ruas para reeleger Lula e frear o bolsonarismo
O cenário adverso não impediu que milhares ocupassem as ruas de várias cidades do Brasil numa “onda vermelha” para virar o resultado do primeiro turno eleitoral. Atos construídos de forma espontânea ou mesmo pelas organizações do campo da esquerda mostram que, além das eleições, nossa tarefa imediata, é possível também ganhar terreno em alguns direitos. Foram as manifestações que garantiram o fim da escala 6x1, uma conquista histórica da classe trabalhadora. Impuseram até à bancada do PL, o partido que representa nossos inimigos políticos de classe, a votar sim no Senado pelo fim dessa escala desumana.
Novamente a mobilização mostrou que é possível defender direitos ou arrancar conquistas dos exploradores. Agora, nosso objetivo é reeleger Lula Presidente como parte da defesa de nossos direitos democráticos. Não compreender esta luta é fortalecer o neofascismo. Ao mesmo tempo, devemos fazer de tudo para que ela não se encerre aí. É necessário convencer os que estão saindo às ruas de que o fim da escala 6x1 é uma vitória arrancada por estes, e que a vitória de Lula no segundo turno também pode ser uma vitória das manifestações.
Da mesma forma, é necessário continuar a luta após o resultado eleitoral. A eleição de Lula e a defesa de nossos direitos democráticos estão ameaçados, como nunca antes estiveram desde a redemocratização, pelo avanço do PL na Câmara dos Deputados e no Senado. Somado a isso, o próximo Presidente poderá indicar quatro ou mais ministros do STF. Ou seja, o objetivo do neofascismo de dominar os três poderes da República e, assim, consolidar manobras e golpes reacionários usando a legalidade é uma possibilidade real.
Para isso, Lula — que lutamos para que seja reeleito — precisa ouvir as ruas e garantir as pautas da classe trabalhadora e dos setores oprimidos. Não é possível governar para os exploradores e os explorados. Essa estratégia política é a principal responsável por chocar o ovo da serpente do bolsonarismo. O fim da escala 6x1 e o perdão das dívidas ao Microempreendedor Individual foram um grande passo. Medidas como a criação de um aplicativo público com taxas menores aos trabalhadores de aplicativo, disputando o terreno com os poderosos da Uber/99/iFood, e a tarifa zero de transporte público nos finais de semana e feriados podem ser ampliadas. Incluímos a redução da taxa Selic, o perdão da dívida para as famílias endividadas no cartão de crédito e o passe livre para estudantes e desempregados, com controle público e democrático sobre os transportes. Para isso, as manifestações não serão somente auxiliares ao governo Lula para se impor ao Legislativo: serão o sujeito principal da pressão para tentar arrancar mais direitos, como, por exemplo, o fim do Arcabouço fiscal.
Os perigos até o dia 25
Diferentes perigos podem acontecer contra a campanha pelo vira voto até o dia 25. O ultraconservadorismo dos setores burgueses sempre se movimentou para reverter resultados eleitorais que favoreciam setores populares ou da esquerda. Houve no Brasil diferentes acontecimentos históricos nesse sentido:
A Carta Brandi nas eleições de 1955: um documento falso que tentou associar João Goulart (PTB), então candidato a vice-Presidente na chapa de Juscelino Kubitschek (PSD), com conspiração armada.
O sequestro do empresário Abílio Diniz no momento da campanha do segundo turno eleitoral de 1989, que foi falsamente associado à campanha de Lula.
A edição do Jornal Nacional da Rede Globo dois dias antes do segundo turno eleitoral de 1989, com cortes que favoreceram o candidato Collor e desfavoreceram a candidatura de Lula.
A prisão política de Lula para impedi-lo de participar como candidato presidenciável nas eleições de 2018.
O incidente da “facada contra Bolsonaro” na campanha do primeiro turno eleitoral de 2018, com insinuações que associavam o autor à esquerda e à campanha presidencial petista com Fernando Haddad.
Os poderosos daqui, dos países vizinhos e dos EUA, confabulando com os planos de dominação imperialista de Trump sobre o Brasil, estão usando toda a estrutura contra nós. Mesmo assim, navegando contra a corrente, estamos conseguindo nos mover e ganhar terreno.
Assim, as mobilizações nas ruas serão um fator principal para reverter qualquer tipo de perigo que favoreça o crescimento da candidatura bolsonarista. É preciso estar de pé nesta última semana para garantir a vitória eleitoral de Lula e depois do resultado eleitoral.
O que fazer
Os últimos dias foram marcados por uma onda de postagens pelo vira voto em Lula 13 nos principais aplicativos da empresa Meta, que admitiu “falhas” que favoreceram Flávio¹. Numa campanha eleitoral em que as redes sociais são um dos principais veículos para manipulação da opinião popular, a "onda vermelha" virtual vem conseguindo ampliar um espaço fundamental nessas principais redes sociais dominadas pelo algoritimo pró-imperialista.
É preciso ampliar, além das postagens nas redes sociais, a ocupação das ruas com a campanha do vira voto. Os setores da classe trabalhadora e das camadas médias só mudarão de posição eleitoral se conferirem nas ruas a força das mobilizações pelo Lula 13 e em defesa dos direitos democráticos. Só a possibilidade real de vitória os fará mudar de posição.
Diante de tudo, uma coisa é certa: o fim da escala 6x1 mostrou a possibilidade real de reverter nas ruas o resultado eleitoral para a vitória de Lula e também a atual situação da luta de classes no Brasil.
Nota:



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