O vício positivista: o discurso produtivista como uma falsa possibilidade revolucionária
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Por João Pedro, da direção nacional de Revolução Socialista / LIS.
O positivismo é a teoria que funda a república brasileira, da celebre frase em nossa bandeira nacional: ORDEM E PROGRESSO. Pautado no pensamento científico em que as mentes lúcidas carregarem a resposta para levar a nação a uma forma de emancipação, através de decisões centralizadas, conduzindo todos ao mundo perfeito do positivismo. No decorrer da construção positivista surgiram figuras fortes, mantendo a política de seres capazes de tomar decisões melhores para o Brasil, baseados em um conceito desenvolvido por jovens intelectuais de sua época. Pensavam a possibilidade de viver um capitalismo com maior justiça social, mantendo sempre a forma capitalista de viver em sociedade.

Para nós revolucionários, que queremos um rompimento com o capitalismo, é necessário pensar para além das teorias reformistas de bem-estar social. Não invalidando a importância histórica que algumas tiveram na conquista de direitos por parte dos trabalhadores, mas considerando seus limites, levando em consideração as tarefas revolucionárias de pensar um modelo de superação capitalista. Focar apenas na redução de danos abraçando de vez a ideia reformista, é seguir acreditando na revolução acampada numa etapa progressista do processo. Nosso dever é pegar essa ideia progressiva e conduzir para um processo revolucionário internacional.
É muito comum vermos figuras comunistas, as mais proeminentes são Jones Manoel e Elias Jabbour com a linha de revolução brasileira, debatendo a superação das mazelas do capitalismo a partir de um projeto de governo central forte, seguido de um pensamento produtivista. Com uma ampla geração de riqueza, que logo irá ser distribuída por especialistas indicados nos setores estratégicos desse tal governo central. Assim garantiriam o crescimento econômico do país beneficiando sua população, acúmulo de capital e distribuição do excedente de forma mais justa. As mazelas do capitalismo seriam combatidas em etapas até não existirem mais. O discurso que parece libertador na verdade é, governar de forma centralizada em figuras fortes, com autoritarismo e tomando decisões em nome da nação. Esse governo central teria total condição de conciliar e controlar a negociação com a ala progressista da burguesia, que enriqueceria com todo esse processo. Por isso a força central do governo muitas vezes se torna autoritária e contra qualquer forma de oposição dentro do país. Trabalham para manter a garantia da ordem a todo custo, assegurando ganho de bem-estar cerceando a população de uma participação efetiva na tomada das decisões.
Há uma tentativa de convencer sobre uma etapa autoritária burocrática necessária para libertação da classe trabalhadora, normalizam a ideia de poucos burocratas falarem pelos interesses de uma classe inteira. Não podemos confiar nesse discurso desenvolvimentista burocrático, conciliando com a burguesia dita progressista. Não há campo burguês que vá governar para o interesse dos trabalhadores. Romper com o capitalismo rumo à revolução socialista é saber diferenciar as propostas apresentadas e somar com a ideia que enxergue uma construção conjunta aos trabalhadores do mundo inteiro.
As figuras comunistas dessa linha conciliadora, historicamente se apresentam como revolucionárias, por muitas vezes repetem o discurso de ordem e progresso. Se colocam como possível solução e usam do momento eleitoral para se fortalecer mais e mais quanto figuras centrais dessa política. Lhes falta a capacidade de dialogar sobre a emancipação da classe, dirigida a um processo revolucionário que seja democrático, em construção conjunta aos trabalhadores numa perspectiva internacional. Mesmo que fosse garantida a melhoria da vida ao povo brasileiro, no capitalismo para haver crescimento de um lado deve haver exploração do outro lado. Como exemplo, para a China erradicar a miséria em seu território precisou haver maior exploração ambiental e de trabalhadores em outros países. Nesse modelo produtivista a melhora na condição de vida classe trabalhadora de um país específico, só é garantida pela maior exploração de trabalhadores em outros lugares. Por isso a revolução ou é internacional levando em conta trabalhadores do mundo, ou vai somar na manutenção de superexploração ao redor do mundo.
Essa posição é oriunda de um pensamento positivista enraizado nos intelectuais brasileiros, sempre estamos à sombra de uma grande figura que vai gerar as vitórias da classe trabalhadora. Haverá um grupo de pessoas regendo o futuro da nação, esses farão a transformação do Brasil para caminharmos ao socialismo, seres iluminados apontando o caminho por onde os demais irão caminhar. Nesse período eleitoral esse pensamento se demonstra mais forte do que nunca, há uma série de revolucionários debatendo desenvolvimento aos moldes capitalistas como uma etapa de avanço. Não falam das experiencias em países que sucumbiram por terem acampado nessa tática, abandonando a estratégia central: seguir mobilizando a classe trabalhadora e fortalecendo as instâncias do partido revolucionário, caminhando sempre para a total emancipação do povo e não para uma total burocratização das lutas passando por um governo central autoritário.
Há uma necessidade real de nos diferenciarmos desse pensamento, não podemos normalizar o autoritarismo como etapa de superação deste estado de exploração capitalista em que estamos inseridos. Figuras centrais não podem ter o poder de total decisão pelo conjunto da classe trabalhadora. Faltam debates participativos nesses discursos que se apresentam revolucionários e vendem esse projeto desenvolvimentista como solução. Seguimos e seguiremos defendendo a emancipação total da classe trabalhadora, sem etapas autoritárias. A revolução num só pais se mostrou uma teoria falha, o internacionalismo e a união dos povos contra o capitalismo é a ideia central. Ser materialista, ler a história e entender a necessidade dialética, é entender que não existe salvador da pátria, sequer existe pátria a ser salva. Realmente existe uma angústia revolucionária na classe trabalhadora ao redor do mundo. Façamos da nossa política uma forma real de superar o capitalismo, apresentando a possibilidade de um estado controlado centralmente pelo conjunto da classe trabalhadora.



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