A CAPITULAÇÃO DO DIRETÓRIO ESTADUAL DO RIO GRANDE DO NORTE E O SEPULTAMENTO DO PSOL

Por: Revolução Socialista (PSOL/RN) – seção da Liga Internacional Socialista
Em uma reunião extraordinária do Diretório Estadual do PSOL/RN, realizada na noite desta quarta-feira, 30/09 de 2026, a quatro dias do primeiro turno das eleições, registrou um dos momentos mais melancólicos e graves da história do nosso partido no Rio Grande do Norte. A maioria da direção consumou o SEPULTAMENTO do partido. Com a rendição da candidatura própria ao Governo do Estado o PSOL-RN se dobrou à "Frente Amplíssima" liderada pelo PT, oficializando o apoio à candidatura de Cadu.
A corrente Revolução Socialista votou CONTRA essa resolução de capitulação. Não aceitamos o apagar das nossas bandeiras, o rebaixamento do nosso programa e o sepultamento da independência de classe em nome de táticas eleitorais de cúpula.
A ilusão da "Frente Ampla" como barreira ao Bolsonarismo
O argumento central utilizado pelos defensores da retirada se apoia na ideia de que a Frente Ampla como o último bastião contra o avanço da extrema-direita contra o avanço da extrema-direita.
O diretório Estadual se utilizou deste argumento para caracterizar este cenário eleitoral do RN, argumentando que o crescimento de duas candidaturas ao governo do Estado Allyson Bezerra do União Brasil (UNIÃO) e Álvaro Dias pelo Partido Liberal (PL) seriam uma ameaça de existência de dois palanques da direita no segundo turno.
As pesquisas apontam Allyson Bezerra (União Brasil) na liderança, com 39% das intenções de voto, Cadu de Lula (PT), com 21%, e Álvaro Dias (PL), com 18%. Diante desse cenário, correntes internas do PSOL afirmam que isso exigiria o recuo do PSOL e retiraram a candidatura do Professor Robério Paulino, que segundo eles seria o "fiel da balança" para evitar que o PT fique fora do segundo turno.
A Revolução Socialista entende o contrário: a responsabilidade pelo desempenho da candidatura governista não pode ser depositada na esquerda independente, mas sim nas escolhas políticas e conciliações do próprio PT.
Trata-se de um erro político crasso. Lamentamos profundamente a postura da corrente Fortalecer o PSOL e do próprio candidato ao Governo, que, a despeito de sua trajetória, abandonou a sua chapa (que contava com Lenny Grilo como vice) a partir de uma análise rebaixada da conjuntura.
Do mesmo modo, rejeitamos a postura do Movimento de Esquerda Socialista (MES) representado por Sandro Pimentel e por Júlio Pontes, atual presidente do Diretório Municipal de Natal, que defenderam a entrega da nossa candidatura independente, visão centrista, que se resume a fazer cálculo eleitoral, criando uma narrativa alimentando o medo, o "alardismo", enquanto isso a realidade concreta da classe trabalhadora fica em segundo plano.
Não é possível construir uma alternativa política combativa para a classe trabalhadora quando se abandona, no momento mais importante da batalha eleitoral do Estado, o combate por uma candidatura própria ao Governo.
Para a Revolução Socialista (RS), que apresenta a companheira Sônia Godeiro como candidata ao Senado, o que o Diretório Estadual fez não foi um "movimento tático", mas o abandono do programa socialista do PSOL.
A Frente Ampla barra ou alimenta a extrema-direita?
A Frente Ampla e o apoio incondicional aos governos de conciliação funcionam de fato como barreira ao crescimento da extrema-direita A nossa resposta é NÃO.
Isso não significa, de forma alguma, ignorar as diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro, ou entre o projeto da Frente Ampla e o bolsonarismo. Essas diferenças existem e têm peso real.
A ascensão da extrema-direita é uma ofensiva reacionária direta contra as conquistas históricas da nossa classe e dos setores oprimidos. A degradação das condições de vida sob os governos de Donald Trump, nos EUA, e de Javier Milei, na Argentina, demonstra a violência desse projeto. Enfrentar esse perigo exige organização independente e luta de massas, sem qualquer conciliação com os inimigos dos trabalhadores e trabalhadoras.
Pelo contrário! É a política de Frente Ampla que alimenta a extrema-direita. Ao conciliar com a classe dominante, aplicar o arrocho fiscal e manter intacta a estrutura capitalista, essa política frustra os trabalhadores e degrada a vida do povo.
O que dizer dos oito anos do governo Fátima Bezerra (PT) no RN? Se por um lado reorganizou as finanças do Estado, por outro negou-se a aplicar um programa mínimo de classe. Em vez de combater a austeridade, o governo petista aliou-se às diretrizes de contenção fiscal de Brasília e descarregou a crise sobre os servidores públicos ao aprovar a sua própria Reforma da Previdência.
Se o PT quisesse recuperar o apoio da classe trabalhadora e do povo pobre, deveria romper seus compromissos com empresários, banqueiros e patrões para governar a serviço dos primeiros. Esse é o verdadeiro antídoto contra a extrema direita. E esse é o dever da esquerda socialista: por isso, é fundamental que o PSOL mantenha sua independência política e se coloque como alternativa à esquerda do PT e ao projeto de conciliação de classes.
A unidade necessária para combater o inimigo comum não pode significar a liquidação da independência política da classe trabalhadora. É essa independência que permite disputar a direção das lutas e oferecer uma alternativa de poder real e radical.
Reagrupar os revolucionários e manter a cabeça erguida
O PSOL nasceu para negar as contradições e traições do PT, unindo a esquerda socialista e reafirmando a necessidade de uma estratégia revolucionária. Ao se render à frente amplíssima no RN, a direção estadual rifa a razão de ser do partido no Estado.
A Revolução Socialista não capitula! Seguiremos nas ruas defendendo a candidatura de Sônia Godeiro ao Senado, levantando as bandeiras do socialismo, da ruptura com a burguesia e da independência de classe.
Convocamos a todos os candidatos e candidatas que não retiraram suas candidaturas a seguirmos juntos nesta batalha, e a todos os militantes e simpatizantes do PSOL a que nos ajudem nesta tarefa. Achamos necessário fazermos um debate aberto sobre os rumos das lutas que viram e sobre a reorganização da esquerda, logo após as eleições.
Nenhuma rendição ao governismo e à conciliação de classes!
Corrente Revolução Socialista — PSOL/RN
Natal/RN, 30 de setembro de 2026



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