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O que fazer contra a violência nas escolas?

Por: Verónica O'Kelly - Revolução Socialista, LIS - Brasil

Muito se discute sobre a questão da crescente violência em nossas escolas, a situação é alarmante. Nós, trabalhadores socialistas, queremos fazer uma proposta de ação política para mobilizar por nossos direitos democráticos e sociais já conquistados, combatendo toda tentativa de militarização e desmonte da educação pública.


A militarização pela extrema direita


Não é algo novo, a solução da extrema direita é estruturar a polícia ou militares nas escolas. Trata-se da já conhecida receita da repressão para responder a qualquer problemática social.


Com o desespero e a desorganização, esse discurso pode ganhar forma, sendo uma pressão constante com o povo trabalhador e pobre reproduzindo uma política que ataca seus próprios direitos e até suas vidas.


O discurso da Frente Ampla...


Outro discurso que escutamos muito é aquele que concentra toda a responsabilidade nos 4 anos de governo Bolsonaro, responsável por legitimar e encorajar atos de violência e discriminação. É correto que a violência cresceu no Brasil que foi governado pela extrema direita, o próprio presidente habilitou atos de violência e ódio na sociedade, além de aplicar uma política de guerra contra o povo trabalhador e pobre. Mas isso não explica tudo.


As escolas, e a educação como um todo, tem sofrido tentativas reiteradas de desmontes. O ingresso das PPP (Parceria Público Privada) e terceirizadas, para exemplificar, são politica de diferentes governos, inclusive os do PT. Tudo isso precarizou os diversos trabalhos cotidianos nas instituições, como de portaria, segurança, ou limpeza, dentre outros. Também ficou mais distante a possibilidade de existir nas escolas profissionais formados para atender problemáticas psicológicas, familiares, pedagógicas e comunitárias.


Propostas urgentes contra a violência nas escolas


Precisamos denunciar o abandono e a política de terra arrasada nas escolas exigindo a incorporação de servidores como psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, etc.; exigindo o respeito às condições trabalhistas de professores e demais trabalhadores da educação; fortalecer a luta que a categoria faz contra os ataques dos governos e recuperar conquistas perdidas com as contrarreformas.


Convocar, onde não existam, e fortalecer, onde já existem, comitês por escola, diferente dos conselhos oficiais burocratizados e sem vida. Espaços onde participam toda a comunidade escolar. Debater democraticamente a situação e medidas efetivas a serem aplicadas.


Defender a educação pública, laica, gratuita e de qualidade. É parte fundamental de combater o avanço da violência e discursos de ódio, a garantia de uma educação que vise a formação de pensamento crítico, nas palavras de Paulo Freire: “A escola como um espaço de ensino-aprendizagem será então um centro de debates de ideias, soluções, reflexões, onde a organização popular vai sistematizando sua própria experiência”[1]. Lutar para revogar as contrarreformas que tiram direitos sociais e exigir do governo federal Lula-Alckmin a revogação imediata e definitiva do Novo Ensino Médio, uma ofensiva do mercado contra a educação pública. Exigir que 10% do orçamento público seja destinado à educação.


Lutar pelo acesso universal à educação. Significa exigir políticas públicas que garantam as condições materiais necessárias para que crianças e adolescentes acessem as escola e universidades, contra a injustiça social da elitização no acesso ao direito à educação.


Construir uma sociedade sem exploração, opressão, nem violência. Para isso, lutamos e nos organizamos pelo socialismo, porque o sistema capitalista é o pai de todas as violências e injustiças. Lutamos por planos de moradia social, ocupando os locais e terras desocupados para garantir moradia digna e trabalho ao povo que se vê obrigado a morar nas ruas; planos de obras públicas que gerem emprego digno; fim do pagamento da dívida pública fraudulenta, um método de roubo do povo a serviço do capital financeiro; nacionalização do comércio externo e dos bancos, para destinar todo o lucro do país para resolver a crise social que vivemos e garantir uma vida digna para o nosso povo trabalhador e pobre.


Em definitivo, propomos medidas urgentes e transitórias no caminho da construção de uma sociedade que garanta direitos, sem exclusão. Uma sociedade que defenda a liberdade e diversidade. Construir o socialismo em defesa própria, porque no capitalismo não há futuro e nós não deixaremos de lutar pelo que é nosso.



[1] FREIRE, 1991, p.16

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