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MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS NO PARANÁ:

Contra a Militarização e por uma Educação Libertadora


Por Mariane Panek. Psicóloga Comunitária e militante da Revolução Socialista. CRP 0832713


Enquanto o governador Ratinho Jr., do Paraná, persiste nos planos de Bolsonaro ao propor a militarização das escolas, a verdadeira intenção parece se afastar de uma educação saudável fundamentada em princípios de conhecimento e construção.

Essa abordagem não apenas menospreza a significativa contribuição de professores e profissionais da educação ao longo da história, mas também desvia recursos que poderiam ser direcionados para promover a saúde mental e social nas escolas, bem como uma educação que estimule a transformação social. Ao invés de fortalecer as bases da educação, essa proposta arrisca comprometer o ambiente educacional, negligenciando o bem-estar emocional dos alunos e subestimando o papel crucial dos educadores na construção de uma educação emancipatória.


Desmascarando a Proposta de Militarização Escolar

- Ao avaliarmos a ideia do Governo Estadual de militarizar as escolas, notamos uma proposta sem ao menos respaldo em estudos ou dados que a validem. Pelo contrário, ao mencionar escolas militares tradicionais como exemplos, sem abordar a diferença de recursos financeiros recebidos em comparação com outras não militarizadas, busca-se influenciar a opinião pública.

- As recentes mudanças implementadas pelo governo, que alteraram o modelo educacional regional de maneira incoerente e sem participação de professores e outros profissionais indispensáveis nesse processo, deixando as escolas cada vez mais desassistidas e os professores mais sobrecarregados, tinham como objetivo alienar a percepção dos pais e responsáveis.

- Ao visualizar as escolas dessa forma, os pais e responsáveis tendem a acreditar em qualquer solução apresentada por alguém que represente poder e um suposto conhecimento (mesmo que esse esteja fazendo com intenções particulares). Isso pode ocorrer pela manipulação da narrativa, mesmo que a militarização seja comprovadamente ineficaz e tenha potencial para causar danos irreparáveis.


Impactos da Militarização: Desafios para Alunos e Professores

- A introdução de uma abordagem militar nas escolas pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos adolescentes. A imposição de uma lógica autoritária, hierárquica e punitiva tende a restringir a criatividade, autonomia e participação dos alunos no processo educativo, resultando em possíveis efeitos adversos, como estresse, ansiedade, medo e até mesmo violência, considerando que estamos falando de toda uma cultura. (SILVA; MIRANDA, 2020).

- Os professores, já subvalorizados social e economicamente, correm o risco de perder autonomia, sendo compelidos a seguir normas que refletem a lógica militar. Esse cenário remete à época da ditadura militar, quando os militares detinham o poder e censuravam de forma brutal o trabalho dos profissionais da educação, resultando em tortura e morte para alguns deles, como foi o caso de Heleny Guariba, Ana Rosa Kucinski, Ruy Carlos Vieira Berbert e tantos outros que lutaram nessa época pela autonomia de sua classe, reconhecendo sua importância para uma sociedade crítica.


Retrocesso na Educação: Mudanças Incoerentes Para um Problema Criado

- Ao discutirmos mudanças na educação, é crucial considerar toda a comunidade escolar e profissionais capacitados para compreender a complexidade da infância e adolescência, em vez de impor um modelo que propicie a repressão da expressão infantil como suposta solução para uma educação sistematicamente desmantelada.

- Essa militarização ameaça comprometer os princípios fundamentais da educação ao impor um currículo, metodologia e avaliação com viés militarizado, priorizando memorização, padronização e competição em detrimento de reflexão, diversidade e cooperação. Além disso, esse modelo pode infringir os direitos dos estudantes, professores e comunidade escolar, limitando a liberdade de expressão, organização e participação nos órgãos colegiados. (VELLOSO; OLIVEIRA, 2015).


Construindo uma Educação para o Povo: Participação Comunitária e Estudos Significativos

- Compreendemos a necessidade de construir uma educação diferente, reconhecendo e denunciando os constantes desmontes financeiros e violências que essa área tem sofrido, justamente por representar tanto. Entendemos que uma mudança efetiva demanda investimentos adequados e estudos qualificados, construídos em conjunto com a comunidade escolar, alunos e os diversos setores da sociedade envolvidos na educação.

- Colaborar para essa transformação é essencial para respeitar este momento crucial de desenvolvimento e contribuir para a formação saudável dos nossos jovens. Uma sociedade verdadeiramente justa emerge quando a educação é tratada não como uma ferramenta de manipulação ou mercadoria, mas como um veículo para a emancipação e formação consciente dos indivíduos.


 

Fontes:

Miranda, E. M. C., & Silva, F. T. (2023). Escolas cívico-militarizadas no Brasil: um estado do conhecimento no Brasil. Educação, 48(1), e78/1–24. https://doi.org/10.5902/198464446617

NEVES, Jaqueline Correa das. ARAUJO, Marlova Neumann. ROCHA, Luciano Daudt da. Militarização das escolas públicas brasileiras: uma revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 03, Vol. 02, pp. 45-56. Março de 2022. ISSN: 2448-0959.

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