Em defesa da independência política do PSOL e de uma alternativa socialista para 2026
- 20 de jul.
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Resolução Política da Revolução Socialista ao Diretório Nacional do PSOL
O povo brasileiro atravessa uma situação crítica, com baixos salários, arrocho salarial, inflação e orçamento limitado para políticas públicas. A situação política, marcada pela disputa do bolsonarismo e a ofensiva da extrema direita com peso no parlamento e pela continuidade das políticas de ajuste e conciliação de classes implementadas pelo governo Lula a serviço dos interesses do capital.
A derrota eleitoral de Jair Bolsonaro representou uma importante vitória democrática das massas trabalhadoras, da juventude, das mulheres, da população negra, indígena e LGBTQIA+, mas não significou a derrota política e social do bolsonarismo. A extrema direita mantém influência de massas, forte presença institucional e capacidade de reorganização política, alimentando-se da frustração popular diante da incapacidade do governo Lula e da Frente Ampla de responder às necessidades mais urgentes da maioria da população.
O governo Lula, reedita a estratégia da conciliação de classes, subordinando-se aos interesses do grande empresariado, do agronegócio, do sistema financeiro e do centrão parlamentar. A política do Arcabouço Fiscal, os limites impostos aos investimentos sociais, as concessões permanentes à direita e a busca incessante por estabilidade institucional demonstram os limites estruturais deste projeto.
Infelizmente, a maioria da direção do PSOL vem conduzindo o partido por um caminho de crescente adaptação a essa estratégia. A participação em governos de colaboração de classes, a defesa de alianças cada vez mais amplas com setores da burguesia e a diluição do perfil político independente do partido representam um afastamento das razões que deram origem ao PSOL enquanto instrumento de luta dos trabalhadores e trabalhadoras.
A integração de importantes dirigentes do partido ao governo federal e a orientação de subordinar a estratégia do PSOL às necessidades da governabilidade da Frente Ampla aprofundam este processo de assimilação política e programática. Em vez de atuar como polo de independência de classe e referência para os setores em luta, o partido escolhe o caminho de se converter em um apêndice da estratégia petista de administração do capitalismo brasileiro.
A Revolução Socialista considera que este caminho não fortalece a esquerda nem contribui para derrotar a extrema direita. Pelo contrário: a história demonstra que a conciliação de classes abre espaço para o crescimento das forças reacionárias ao frustrar as expectativas populares e desarmar politicamente os trabalhadores diante da crise.
A derrota estratégica do bolsonarismo e da extrema direita exige um caminho distinto: a construção de uma alternativa política independente dos interesses da burguesia, comprometida com as demandas da maioria social e apoiada na mobilização popular e na organização da classe trabalhadora.
Por isso, defendemos que o PSOL apresente uma candidatura própria nas eleições presidenciais de 2026, sustentada em um programa anticapitalista, socialista e de ruptura com a lógica da austeridade e dos privilégios das elites econômicas.
Uma candidatura própria não deve ser entendida como um gesto propagandístico ou de afirmação identitária, mas como uma necessidade estratégica para oferecer às massas trabalhadoras uma alternativa política consequente, capaz de disputar consciências, organizar a resistência e apontar uma saída em favor dos interesses da maioria do povo brasileiro.
Defendemos um programa baseado, entre outros pontos, em:
Revogação do arcabouço fiscal e todas as Contra Reformas;
Taxação das grandes fortunas, dos bancos e dos super-ricos;
Não pagamento da Dívida Pública, mecanismo que privilegia o setor financeiro nacional e internacional;
Proibição e reversão das privatizações e defesa dos serviços públicos;
Investimentos massivos em saúde, educação, moradia e transporte;
Reforma agrária sob controle dos trabalhadores rurais;
Defesa dos direitos das mulheres, da população negra, indígena e LGBTQIA+;
Combate consequente ao racismo e a todas as formas de opressão;
Solidariedade internacionalista entre os povos e a defesa das lutas contra o imperialismo e a opressão em todo o mundo;
Ruptura com a lógica da conciliação de classes e afirmação da independência política dos trabalhadores.
A Revolução Socialista reafirma seu compromisso com a construção do PSOL como instrumento de luta e organização da classe trabalhadora, da juventude e dos setores oprimidos, e chama o conjunto da militância do partido a abrir um amplo debate estratégico sobre os rumos da organização e sobre o papel que o PSOL deve cumprir na próxima etapa da luta de classes no Brasil.
Diante da crise do projeto da conciliação de classes e do avanço das forças reacionárias em escala internacional, o PSOL deve escolher entre aprofundar sua integração ao bloco governista ou reafirmar sua razão histórica de existência enquanto alternativa socialista, independente e comprometida com os interesses das maiorias exploradas e oprimidas.
A Revolução Socialista seguirá defendendo o segundo caminho.



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