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Brasil: 5º Congresso CONLUTAS. A necessidade de uma mudança de direção

Por Veronica O'Kelly

fotos: Douglas Diniz

O 5º Congresso da CSP – Conlutas abre debates sobre a organização sindical necessária numa situação de crise capitalista global, com governos obrigados a aplicar e manter uma contrarrevolução constante contra a classe trabalhadora e um Brasil governado por Lula, liderando um novo governo de uma frente ampla com partidos e setores burgueses, inclusive com a direita e o “centrão”, ex-aliados do governo Bolsonaro.


Este congresso deixa um resultado contraditório porque, embora existam acordos políticos importantes, a direção majoritária da Conlutas, nas mãos do PSTU, reafirma um método errado e repulsivo para os setores do sindicalismo classista e combativo que buscam uma central sindical para se organizarem. A hegemonia imposta por uma direção que se recusa a incorporar a diversidade existente nas organizações sindicais e sociais da nossa classe, enfraquece a central e é a principal responsável pela saída de sindicatos e setores importantes.


Análise política com muita convergência


Durante os 3 dias do congresso, foram realizados debates sobre a situação global e nacional e a luta de classes. Há muita unidade quando se trata de analisar e caracterizar a atual crise capitalista e a importância de enfrentar projetos e governos progressistas ou de centro-esquerda que permanecem na órbita do capital e da burguesia.


Um debate importante, que também expressou muita concordância política, foi sobre a guerra na Ucrânia que, embora haja nuances, a grande maioria dos presentes se declarou contra a invasão russa e a favor do reforço do apoio e da solidariedade ao povo ucraniano. ... sem confiar na OTAN e denunciando o seu papel imperialista na Europa Oriental.


Houve também acordo unânime para declarar apoio à Frente de Esquerda dos Trabalhadores - Unidade (FIT-UNIDAD) da Argentina. Por parte da direção nacional da Revolução Socialista – LIS, Brasil, foi feito um esclarecimento sobre o voto na resolução votada, marcando a importância do apoio à FIT não só nas eleições, como proposto na resolução votada, mas também contribuindo para fortalecer esta importante ferramenta organizacional para que os revolucionários atuem na luta de classes e incorporem mais setores, com um método democrático que expresse a diversidade política existente.


Estiveram presentes uma delegação de companheiros do sindicalismo combativo na Ucrânia, juntamente com delegações internacionais de diversos países, entre eles Guillermo Pacagnini, companheiro da seção argentina da LIS, líder nacional da ANCLA (Agrupamento Nacional Classista e Antiburocrático) e do MST ( Movimento Socialista dos Trabalhadores) na FIT-U.


Um método errado que enfraquece a Conlutas


Os acordos políticos são fundamentais, embora insuficientes, se o que pretendemos é fortalecer uma ferramenta de organização das bases da classe trabalhadora no Brasil. A direção majoritária da central, nas mãos do PSTU, pratica um método antidemocrático que dificulta sua construção e crescimento. O sindicalismo combativo que se organiza em sindicatos, grupos ou correntes, procura espaços onde possa opinar e decidir sem ser pisoteado por uma direção monolítica que não é capaz de incorporar a diversidade política. Justamente por isso foge de centrais burocráticas como CUT, CTB, etc.


Foi assim que nasceu a Conlutas, posicionando-se como uma alternativa às burocracias governamentais e sindicais patronais. Mas, anos depois, esta ferramenta que procurava superar a experiência das antigas estruturas sindicais, reproduz vários dos seus métodos burocráticos, o que está provocando a saída de sindicatos e setores importantes como, por exemplo, o ANDES, o grande sindicato nacional de professores das universidades. O PSTU atua, de forma irresponsável, como uma direção monolítica, recusando-se a trabalhar e a incorporar opiniões divergentes. Impõe a política do partido ao conjunto da central, agindo como se fosse colateral e dificulta a troca de ideias e o desenvolvimento coletivo. Isto afasta lutadores, activistas ou dirigentes que procuram organizar-se para lutar contra os patrões e a burocracia sindical. Assim, a CSP-Conlutas se vem fragilizando qualitativamente. Precisamente quando é mais necessário um pólo forte de reagrupamento do sindicalismo de classe.


Importante presença da Unidos Pra Lutar que se reafirma como a segunda força da central


Com um grande esforço militante de camaradas que percorreram milhares de quilómetros, a corrente sindical Unidos Pra Lutar, da qual a Revolução Socialista é promotora, esteve presente com uma delegação de mais de 100 delegados e ativistas.


Realizamos debates e fizemos os maiores esforços para fortalecer a central como ferramenta de luta e democracia. Preparamos junto com trabalhadores e trabalhadoras de diversos sindicatos e organizações um manifesto contra a decisão unilateral e de última hora de reformar o estatuto da central com o objetivo de manter o controle dela pelo PSTU. Apresentamos nossa chapa para a eleição da nova direção, confirmando que somos a segunda força da central, depois direção majoritária do PSTU e acima dos grupos sindicais da CST, do MRT e do POR. Para encerrar a nossa participação, realizamos uma ampla sessão plenária com toda a delegação presente, onde deliberamos sobre um plano de ação para o próximo período. Saímos muito fortalecidos e fortalecidas para continuar lutando pelo sindicalismo classista,


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