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A industria agropecuária e o negócio da fome

Por João Pedro Ambrosi dos Santos e Verónica O’Kelly – Revolução Socialista-LIS, Brasil.

Estamos vivendo uma grande crise climática e o mundo tem apresentado os sintomas por estar sendo degradado. As crises são geradas pelo impacto ambiental, causado pela forma de produção capitalista, impactando diretamente no dia a dia dos seres humanos. No sistema capitalista a vida dos mais pobres é afetada primeiro, temos diversos incidentes climáticos matando e deixando pessoas residentes das periferias em situação vulnerável, sofrendo o desastre ambiental provocado pelo capital.

As crises climáticas estão ligadas diretamente à forma de produção capitalista, entender qual o motivo dos impactos ajuda a desconstruir a cadeia de produção e achar a raiz do problema.

A indústria agropecuária é responsável de quase o 97% da área desmatada no Brasil

Hoje cerca de 97% da área desmatada do país é usada pela indústria agropecuária, indústria essa que não gera emprego e que acaba tomando terras de trabalhadores, indígenas, quilombolas, entre outros, provocando zonas liberadas para grupos militarizados que assediam, perseguem e assassinam constantemente os moradores delas. Todas as pessoas que antes estavam nas terras são substituídas por gado, porcos e galinhas. Muitas vezes a substituição não é direta pelos animais, mas é feita para plantar soja, milho e outros grãos. A maior parte destes grãos são usados para alimentação animal, usado diretamente para produção de carne.

Quando pensamos no impacto ambiental causado, não temos como não considerar a indústria da Agropecuária como uma das principais inimigas, por ser a que mais desmata nossas floretas. Essa indústria gera impactos diretos e indiretos tanto no meio ambiente quanto no cotidiano da sociedade.

Quanto maior a produção de alimentos, maior é a fome no país

O Brasil produz alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas e mesmo assim vemos a fome crescer de forma galopante em território nacional. Grande parte deste alimento produzido não é para seres humanos, por exemplo a soja que alimenta porcos na China. Temos que enxergar a Agropecuária monopolista de terras como a inimiga da classe trabalhadora, produzem alimentos que exigem muito dos nossos ecossistemas e quem paga essa conta é a camada mais pobre da sociedade. O “desenvolvimento” industrial capitalista é lucro para poucos e contaminação, fome e morte para as maiorias.

O agronegócio e o extrativismo são políticas de Estado. Os governos dão grandes isenções tributárias e deixam de fiscalizar o desmatamento, agravando cada vez mais o tamanho do problema ambiental. As políticas dos diferentes governos, até aqui, foram extrativistas e dirigidas a favorecer as corporações nacionais e multinacionais da indústria alimentícia, e em especial da agropecuária. Se trata de uma indústria que provoca um enorme impacto ambiental negativo, e também um desperdiço de trabalho social utilizado já que não responde às necessidades e capacidades sociais, e sim à vontade de lucro empresarial capitalista. O circuito da soja que se produz nas terras desmatadas da Amazônia, transportada por milhares de caminhões até os portos e enviada à China, onde alimentará os porcos que produzem alimentos a ser comercializados na mesma China e no mundo inteiro (ainda no Brasil), significa um ilógico processo de produção de alimentos que, não só não alimentam, senão que aprofunda a contaminação e destruição ambiental. A lógica extrativista é perversa e reproduz a desigualdade social de classes, aprofundando o colonialismo e a dependência com o poder capitalista- imperialista hegemônico.

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